NOTÍCIA: Declarado morto, vinil ressurge e conquista público fiel

Fonte: Deutsche Welle
Autor: Silke Wünsch (as)
Data: 19.10.2015

Eles sobreviveram ao CD e ao MP3: os velhos bolachões atraem um público cada vez maior, que inclui DJs, amantes da música, colecionadores e até investidores financeiros. 

Na sua loja em Colônia, Uwe recebe todo tipo de cliente e oferece uma ampla variedade de gêneros musicais
Alto-falantes de discoteca, antigos aparelhos de som 3 em 1 e caixas de papelão cheias de discos de vinil se amontoam em frente a uma loja especializada em música num bairro alternativo de Colônia, na Alemanha. As paredes são forradas com pôsteres de bandas de rock e cartazes de shows, e o som das guitarras domina o ambiente.
Bruno é um cliente fixo do local e conhece a loja como poucos. Ele retira um vinil do toca-disco, coloca-o cuidadosamente de volta na capa e pega outra bolacha. "Este é um disco de sete polegadas, um compacto simples", diz Bruno. "De 1954, lançado por um selo famoso, o Brunswick."
Ele coloca o disco para tocar, e o som inicial é o tradicional chiado dos discos de vinil. Depois começam os primeiros acordes de um swing, tocados por uma big band. O rosto de Bruno se ilumina de felicidade. "Sy Oliver and his Orchestra com Louis Armstrong, tocando um grande hit: C'est si bon."

Bruno é um grande fã dos discos de vinil, um freak, como ele mesmo diz. A sua coleção inclui cerca de 5 mil discos, principalmente jazz, trilhas sonoras de filmes e música clássica. Ele nem considera a possibilidade de ter essa coleção em CD.

"A sensação de ter um LP nas mãos é insuperável. A trilha de Spartakus, por exemplo. Você abre o disco como se ele fosse um livro, e Kirk Douglas salta no seu rosto em technicolor. Isso é arte. Um CD não tem algo assim", afirma.
A capa é uma das vantagens citadas pelos amantes do vinil. Outra é: ninguém sabe ainda quanto tempo duram as informações armazenadas num CD. Um disco de vinil, quando bem cuidado, dura para sempre. Um pouco de chiado é aceitável e, às vezes, até desejável. Por fim, o argumento definitivo de todos os aficcionados pelo vinil: o som é mais quente e encorpado, bem diferente do som agudo e frio do CD.

Valor depende do estado de conservação
Exemplar de uma prensagem de teste (sem a capa) do primeiro disco do Velvet rendeu mais de 150 mil dólares
 
O resultado é o revival do vinil. Pessoas de todas as idades vasculham mercados de pulga, procuram na internet e reviram antiquários atrás das antigas bolachas, declaradas mortas pela indústria quando ela decidiu apostar todas as fichas no CD, na virada dos 80 para os 90.
O dono da loja de Colônia, Uwe, entende tudo de selos musicais e gravadoras, edições e prensagens dos vinis. Ele também sabe reconhecer uma coleção decente de discos. Se alguém lhe oferecer uma coleção de jazz, ele saberá dizer se alguém já botou antes as mãos nela para retirar as pérolas. "Sem os principais discos, uma coleção não tem mais muito valor", atesta.
Uwe mostra um disco de Oscar Peterson do selo MPS, a primeira gravadora alemã de jazz, famosa pela alta qualidade das suas gravações. "Um disco como este da MPS, dos anos 60 ou 70, custa uns 20 euros." O valor sobe se o disco estiver em excelente estado de conservação – e também se a capa estiver inteira, sem dobraduras, arranhões ou rabiscos.
Uwe apresenta outro clássico do jazz: "Este é o show do Keith Jarrett em Colônia, numa edição posterior. A primeira tinha uma capa em alto relevo, esta é uma capa lisa. Esse disco duplo custa 15 euros – desde que esteja em excelente estado, claro."
De novatos e investidores
Uwe diz que a sua clientela é variada, desde DJs de 20 e poucos anos até antigos amantes do jazz. Alguns vasculham todas as prateleiras e não levam nada. Outros são principiantes quanto o assunto é vinil. "Alguns jovens nem mesmo sabem que um disco de vinil tem dois lados. Eles olham para o vinil como se ele fosse uma das sete maravilhas do mundo", conta Uwe.
Há também aqueles que se comportam como se estivessem prestes a fazer o negócio das suas vidas. "São verdadeiros freaks, como colecionadores de selos. Para os colecionadores profissionais, alguns discos são verdadeiros investimentos. Quando a crise financeira começou, pessoas que ainda tinham algum dinheiro começaram a comprar discos de vinil feito uns loucos."
Na internet, é possível se informar antes sobre o valor de mercado de um disco de vinil. Em alguns casos, o céu parece ser o limite, principalmente no caso de prensagens limitadas ou edições hoje muito procuradas, mas que venderam pouco na época do lançamento.
Muitos discos passam facilmente dos 500 euros, outros chegam a valer milhares. Um dos valores mais altos foi pago por uma prensagem de teste (sem capa, com o selo interno em branco e inscrições à mão) do disco de 1966 da banda Velvet Underground & Nico: 155.401 dólares no Ebay.

NOTÍCIA: Que previsões "De volta para o futuro" acertou?

Fonte: Deutsche Welle
Autor: -
Data: 20.10.2015  

 Há quase 30 anos, roteiristas já imaginavam interfaces multimídia, controles de voz e comunicação por vídeo. Robôs que passeiam com os cães e skates flutuantes sem rodas, porém, ainda não são realidade.

Martin McFly com o famoso Hoverboard: uma das previsões que os roteiristas não acertaram
Em Seattle, nos Estados Unidos, um museu preserva, protegidos por vidros, itens extremamente raros: três Hoverboards. O skate sem rodas era uma das estrelas do filme "De volta para o futuro 2". Foi nele que Marty McFly (Michael J. Fox) circulou durante parte do tempo em que passou no que era futuro então: 21 de outubro de 2015.

Trinta anos depois, no futuro, a franquia é homenageada em todo o mundo com festas e maratonas de exibição. Mas, será que o filme conseguiu acertar alguma previsão?
Antes de mais nada, Hoverboards não estão à venda no mercado. Na internet, é possível encontrar alguns vídeos do skate flutuante sem rodas, mas são falsificações ou modelos que funcionam apenas em solos muito específicos, como o protótipo de levitação magnética da fabricante de automóveis Lexus.

Não temos também robôs que levam os cães para passear, nem casacos que se ajustam ao tamanho da pessoa e secam instantaneamente. Leitores de impressão digital no lugar de maçanetas até já existem, mas não são tão comuns.
A Pepsi Perfeita: edição limitada de 6.500 garrafas marca 30 anos do lançamento do filme
A máquina que transforma, em poucos segundos, uma minipizza numa grande pizza quentinha, seria algo típico americano, mas tampouco foi inventado. O mesmo vale para os carros voadores, em que nem os próprios criadores do filme acreditavam.
"Mas, em um filme sobre o futuro, precisávamos de carros voadores", disse há cinco anos Bob Gale, um dos roteiristas do filme.

Então, todas as previsões falharam? Não exatamente. Em muitos aspectos, os cineastas foram videntes surpreendentes. No futuro, telas planas estariam espalhadas por todos os lugares — isso não era previsível em meados dos anos 1980. As pessoas se comunicariam por vídeo, assim como é possível fazer hoje — mas não há sinais no filme de celulares ou internet.
Segundo o filme, avisos chegariam por fax em 2015. Fax! Há, porém, um computador da Apple em uma loja de antiguidades — já é possível encontrá-los nesses estabelecimentos, não a preços muito baixos.

O filme acertou também ao apontar os asiáticos como peças-chave da economia, e um cartaz até anunciava "férias de surfe" no Vietnã. Dez anos após o fim da Guerra do Vietnã, o que era um absurdo para um americano nos anos 1980, agora pode ser absolutamente normal.

Martin McFly e Doc Brown: em muitos aspectos, os cineastas foram videntes surpreendentes
Má notícia: a chuva não para em um segundo. A boa notícia é que a inflação americana não está tão alta para ser preciso comprar uma Pepsi com uma nota de 50 dólares — embora a edição limitada de 6.500 garrafas da "Pepsi Perfeita", feita especialmente para o filme, possa valer um bom dinheiro como item de colecionador.
 
Controle de voz no dia a dia e interfaces multimídia, tudo já estava no filme. Ele apresenta até um óculos no estilo do Google Glass, e quando os dados pessoais de quem faz uma ligação são exibidos no visor, parece quase um Facebook — 15 anos antes do Facebook.

Quando se trata de energia, ainda não estamos naquele futuro. Porque quando o Doc Brown (Christopher Lloyd) precisa de eletricidade, basta ele jogar alguns resíduos de cozinha no reator "Mr. Fusão". Ele não só fornece energia para a máquina do tempo, o "compensador de fluxo", como é praticamente "made in Germany": a base para o dispositivo era um moedor de café Krups.