Image copyrightALAMYImage captionCientistas suspeitam que brejos dinamarqueses eram locais de depósito de sacrifícios humanos para divindidades da Idade do Ferro
A linha férrea entre a alemã Hamburgo e Copenhague, capital da Dinamarca, tem uma paisagem repleta de brejos. E a exemplo do que vem acontecendo em outras localidades do norte europeu, da Irlanda à Polônia, esses pântanos têm se revelado misteriosas tumbas.
Corpos de 2 mil anos de idade vêm sendo descobertos, e muitos arqueólogos acreditam que se tratam de vítimas de sacrifícios religiosos da Idade do Ferro (período iniciado em 1.200 a.C. em regiões da Ásia e da Europa), mortas e delicadamente depositadas nos pântanos como uma oferenda aos deuses.
Outros acadêmicos, porém, especulam que podem ser criminosos, imigrantes ou viajantes.
A Dinamarca tem uma das maiores concentrações de brejos - e de corpos encontrados - do mundo. Boa parte está perfeitamente preservada por causa de ácidos produzidos pelo musgo que é tão presente nesse ecossistema.
Muitos corpos foram acidentalmente descobertos por coletores de turfa, substância gerada pela decomposição de vegetais de áreas alagadas que os dinamarqueses ainda usavam como combustível entre 1800 e 1960.
Autópsias modernas revelaram que quase todas as vítimas - homens ou mulheres - sofreram mortes violentas. Algumas tinham marcas de forca ou cordas ao redor dos pescoços. Outras, as gargantas cortadas.
Image copyrightGETTY IMAGESImage captionO Homem de Tollund foi enforcado e depositado na lama há 2.400 anos, mas de tão preservado apresenta até vestígios de barba
Pouco se sabe sobre a Dinamarca na Idade do Ferro, já que, por exemplo, não havia uma língua escrita local e poucos documentos escritos por gregos e romanos sobreviveram. Podemos apenas especular sobre o que aconteceu.
Mas há um detalhe importante: nessa época, a maioria das pessoas era cremada. Sendo assim, por que os chamados "corpos do pântano" tiveram um destino diferente? Foi o que quis descobrir.
Choque
Minha primeira parada foi Vejle, uma cidade de 100 mil habitantes a 240 km de Copenhague.
Lá, encontrei Mads Ravn arqueólogo-chefe do Vejle Museum, que tem uma fascinante coleção de artefatos, incluindo moedas romanas e broches com a suástica, símbolo que existiu milhares de anos antes dos nazistas.
Todos encontrados em pântanos e considerados oferendas a deuses, possivelmente da Idade do Ferro.
Em um sarcófago de vidro disposto em um salão escuro nos fundos do museu está o corpo da Mulher Haraldskaer, que tem uma expressão de choque em sua face.
Seu rosto não era tão pacífico como o de outros "corpos do pântano" que tinha visto em livros. Era algo estranho, que me fez sentir que estava invadindo sua privacidade.
Image copyrightALAMYImage captionCondições ácidas em solo e água dos brejos dinamarqueses podem preservar corpos por séculos
"Quando ela foi descoberta por extrativistas, em 1835, pensaram que era a rainha viking Gunhildd, que, de acordo com lendas nórdicas, teria sido afogada pelo marido, Harald Bluetooth", explica Ravn.
"Mas isso não é verdade, pois testes de carbono mostraram que ela tem cerca 2,2 mil anos de idade".
A Mulher Haraldskaer foi encontrada nua, ao lado de um manto, e tinha sido presa ao fundo por galhos de árvores possivelmente depois de morta.
Sulcos em seu pescoço sugerem estrangulamento, e análises forenses adicionais revelaram o conteúdo de seu estômago na hora da morte, incluindo milho-painço e amoras - uma refeição estranha em uma sociedade orientada para o consumo de carne.
"Estamos fazendo análises de isótopos em seu cabelo e trabalhando com uma nova técnica de DNA que extrai material de seu ouvido interno para descobrirmos mais sobre ela", conta o arqueólogo.
Mágico e sobrenatural
Ravn e eu dirigimos 10 km para o oeste até o Pântano Haraldskaer, onde a mulher foi descoberta.
Assim como os pântanos que vi do trem, estava coberto por algas verdes brilhantes e cercado por uma camada densa de árvores com cogumelos roxos. Há algo mágico e até sobrenatural, e é fácil ver o porquê de terem sido escolhidos como locais de sacrifício, e porque ainda exercem magnetismo nos dias de hoje.
A próxima parada era Aarhus, a segunda maior cidade dinamarquesa, para visitar o Moesgaard Museum, que abriga uma das melhores coleções sobre a Idade do Ferro na Europa.
A estrela da companhia aqui é o Homem de Grabaulle. Encontrado em 1952, esse corpo extremamente bem preservado encontra-se em posição deitada, pés e pele praticamente intactos, bem como a face, que tem uma expressão serena.
Image copyrightROBERT HARDING/ALAMY STOCK PHOTOImage captionO Homem de Grauballe é a principal atração do Moesgaard Museum
"Assim como a maioria dos corpos encontrados em pântanos, seu cabelo e pele ficaram avermelhados por causa de um processo químico conhecido como reação de Maillard", explica Pauline Asingh, diretora de exibições do museu. "Ele é realmente um homem bonito."
Mas o olhar tranquilo do Homem de Grabaulle contrasta com a evidência de seu fim violento.
"Ele foi forçado a se ajoelhar, e sua garganta foi cortada de orelha a orelha por alguém de pé por trás dele. Mas ele foi colocado com delicadeza no pântano. Pode parecer violento para nós, mas sacrifícios eram uma parte importante da vida cultural desse período", diz Asingh.
O museu também tem em seu acervo evidências de que os sacrifícios não eram limitados a humanos: em 2015, 13 cães do ano 250 a.C. foram encontrados no Pântano de Skodstrup, perto de Aarhus.
A parada final foi Silkeborg, a 44km a oeste de Aarhus. Lá, o Museum Silkeborg exibe "corpos do pântano" e um deles é considerado um dos mais bem-preservados espécimes do mundo.
O Homem de Tollund, de cerca de 2,4 mil anos de idade, está tão bem conservado que autoridades dinamarquesas pensaram que ele era um menino desaparecido quando foi encontrado, em 1950.
Image copyrightROBERT HARDING/ALAMY STOCK PHOTOImage captionExpressões faciais do Homem de Tollund impressionam
Assim como outras vítimas, ele foi enforcado. A corda que ajudou a matá-lo ainda estava enrolada em torno de seu pescoço, e seu rosto estava perfeitamente intacto.
Na sala ao lado estava a Mulher de Elling, achada a apenas 40 metros do Homem de Tollund e que deve ter morrido na mesma época. Também se acredita que ela tenha sido enforcada, e é uma atração popular por causa de seu cabelo vermelho, amarrado em uma longa trança de 90 cm de comprimento, com um elaborado nó.
Ole Nielsen, o arqueólogo do museu, me levou para visitar Bjaeldskovdal, um pântano 15 km distante de onde os corpos foram encontrados.
Ao pararmos para observá-lo, pensei em quais outros segredos suas profundezas turbas poderiam esconder.
Image copyrightALAMYImage captionA mina de sal em Hallstatt existe desde o tempo dos celtas e pode abrigar nossos segredos milênios por vir
Gravadas com estranhos pictogramas, linhas e marcas em forma de cunha, elas ficaram enterradas no deserto do Iraque por milênios. Deixadas pelos sumérios há cerca de 5 mil anos, as tábuas de argila dão uma ideia do que acredita-se ser o registro escrito mais antigo de um povo que desapareceu há muito tempo.
Embora tenha demorado décadas para que arqueólogos conseguissem decifrar o misterioso idioma preservado nas placas, elas deram uma amostra de como era a vida na aurora da civilização.
Tábuas semelhantes e pedras esculpidas também foram desenterradas em locais habitados por outras importantes civilizações que há tempos desapareceram - desde os hieróglifos dos antigos egípcios até às inscrições dos maias da Mesoamérica.
As histórias e detalhes que elas continham resistiram ao teste do tempo, sobrevivendo durante milênios para serem desenterradas e decifradas por historiadores modernos. No entanto, há temores de que futuros arqueólogos não tenham acesso ao mesmo tipo de registro imutável quando eles buscarem por vestígios da nossa civilização.
Atualmente vivemos em um mundo digital no qual a informação é armazenada em listas de pequenos registros com uns e zeros eletrônicos que podem ser editados ou até apagados por simples toques acidentais em um teclado.
"Infelizmente nós vivemos em uma época que vai deixar poucos registros escritos", explicou Martin Kunze, idealizador do projeto Memória da Humanidade, ou MOM (Memory of Mankind, no original em inglês).
Image copyrightALAMYImage captionO vento vindo do Sol pode criar a bela aurora boreal, mas uma tempestade solar feroz poderia apagar todos nossos dados armazenados
O MOM é uma colaboração entre acadêmicos, universidades, jornais e bibliotecas cujo objetivo é criar uma versão moderna das tábuas deixadas pelos sumérios.
O plano deles é reunir o conhecimento acumulado de nossa era e guardá-lo debaixo da terra nas cavernas de uma das minas de sal mais antigas do mundo, nas montanhas da região de Salzkammergut, na Áustria.
"O principal objetivo do que estamos fazendo é armazenar a informação de uma maneira que seja legível no futuro. É um 'backup' do nosso conhecimento, da nossa história", disse Kunze.
Criar uma "cápsula do tempo" pode parecer arcaico em uma era na qual a maior parte do nosso conhecimento flutua na nuvem da internet. No entanto, um deslize para uma era escura tecnológica não é algo que pode ser ignorado.
Perigo virtual
O advento da internet fez com que seres humanos tivessem, ao alcance de seus dedos, mais acesso à informação do que em qualquer outro período da história. Entretanto, os enormes repositórios de conhecimento que construímos são perigosamente vulneráveis.
Cada vez mais as informações vêm sendo armazenadas digitalmente ou remotamente em servidores ou discos rígidos.
A situação fica mais séria quando levamos em consideração que alguns artigos científicos hoje são publicados apenas online. Catálogos completos de imagens de telejornais, programas de TV e filmes são armazenados digitalmente. Documentos oficiais e legislações governamentais ficam em bibliotecas digitais.
Todavia, uma conferência de cientistas especializados no tempo do espaço sideral, junto com funcionários da agência espacial americana Nasa e do governo dos Estados Unidos, alertou para a natureza frágil da informação digital.
Partículas carregadas descartadas pelo Sol durante uma poderosa tempestade solar poderiam desencadear surtos eletromagnéticos com o potencial de tornar nossos dispositivos eletrônicos inúteis, além de apagar todos os dados armazenados em cartões de memória.
Tempestades assim são uma ameaça real, e elas acontecem com relativa frequência. Um relatório publicado pelo governo britânico no ano passado destacou que fortes tempestades solares têm acontecido a cada 100 anos.
Image copyrightNASAImage captionAs tempestades solares liberam grande quantidade de partículas que se espalham pelo Sistema Solar, atingindo até planetas mais distantes, como Plutão
A última grande tempestade do tipo a atingir a Terra, conhecida como o Evento Carrington, foi em 1859 - acredita-se que esta foi a maior tempestade em 500 anos. Ela acabou com sistemas de telégrafo no mundo todo e produziu faíscas em torres elétricas.
Na era da internet, um evento como esse poderia ser catastrófico.
Mas há outras ameaças também - hackers ou funcionários descuidados que poderiam adulterar esses registros digitais ou apagá-los de uma só vez.
Também há a possibilidade de nós perdermos o acesso a essas informações. A tecnologia tem mudado de maneira tão rápida que formatos de mídia têm se tornado obsoletos cada vez mais rápido. Minidiscs, VHS e o antigo disquete tornaram-se antiquados dentro de décadas.
Daí surge o desejo de guardar uma cópia impressa dos nossos documentos mais importantes. Infelizmente, até as maneiras mais tradicionais de armazenar dados dificilmente são capazes de manter a informação segura por mais de alguns séculos.
Enquanto temos alguns manuscritos que sobreviveram centenas de anos - e no caso de papiros, milhares de anos -, a menos que eles sejam guardados em condições adequadas, a maioria se desintegra e vira pó depois de algumas centenas de anos. Jornais podem se decompor em até seis semanas se forem molhados.
"É bem provável que no longo prazo os únicos traços das nossas atividades hoje sejam o aquecimento global, o lixo nuclear e latinhas de Red Bull", disse Kunze. "A quantidade de dados está sendo inflada rapidamente, então o real desafio é selecionar o que queremos guardar para nossos netos e para aqueles que vierem depois deles."
Esse é o motivo pelo qual Kunze e seus colegas buscaram inspiração nas tábuas de pedra deixadas pelos sumérios.
Arquivo permanente
A equipe do MOM tem como meta criar um arquivo permanente do nosso modo de vida ao gravar, em placas quadradas de cerâmica com 20 centímetros de diâmetro, documentos oficiais, detalhes da nossa cultura, artigos científicos, biografias, livros populares, novas histórias e até mesmo imagens.
Isso é possível por meio de um processo descrito por Kunze como "microfilme de cerâmica", o qual ele diz ser o sistema de armazenamento de dados com maior duração do mundo.
As placas planas de cerâmica são cobertas por uma camada escura e um laser é usado para fazer inscrições nelas.
Cada uma dessas placas tem espaço para 5 milhões de caracteres - algo semelhante a um livro de 400 páginas.
Image copyrightALAMYImage captionAo contrário de tábuas de pedra, a tecnologia torna-se obsoleta rápido demais
Elas são resistentes a ácidos e alcalinos, e podem suportar temperaturas de 1300°C. Um segundo tipo de placa também pode ter fotos coloridas e diagramas impressos com 50 mil caracteres. Após a gravação de dados, elas são seladas com um esmalte transparente.
As placas são então empilhadas dentro de caixas de cerâmica e guardadas dentro das escuras cavernas da mina de sal em Hallstatt, na Áustria.
O lugar, que poderia ser descrito como o local de repouso da cápsula do tempo definitiva, é impressionante. Com a luz certa, as paredes ainda reluzem com os restos de sal, que ajuda a extrair a umidade e secar o ar.
O sal tem uma propriedade semelhante à plasticina que ajuda a selar fraturas e rachaduras, tornando a tumba à prova d'água. Enterrados sob milhões de toneladas de pedra, os registros poderão sobreviver por milênios e até mesmo por idades do gelo, segundo Kunze.
Valor inestimado
Em algum futuro distante depois que a nossa civilização tiver desaparecido, esses registros poderiam ter valor inestimado para quem os encontrasse.
Eles poderiam dar a culturas menos avançadas que a nossa o acesso a conhecimentos esquecidos, ou ser uma rica fonte de informação histórica para civilizações mais avançadas, garantindo que nossas conquistas, e nossos erros, possam ser estudados.
Mas esses registros também podem ter valor no curto prazo.
"Nós estamos tentando criar algo que não será apenas uma coleção de informações para um futuro distante, mas algo que também será um presente para nossos netos", afirmou Kunze.
"O MOM pode servir como um 'back-up' do conhecimento no caso de eventos como guerras, pandemias ou um meteorito que nos faça retroceder séculos dentro de duas ou três gerações. Uma sociedade pode perder habilidades e conhecimento rapidamente - no século 6, a Europa perdeu, em sua maioria, a capacidade de ler e escrever dentro de três gerações."
Conteúdo das placas
Os arquivos do MOM já têm uma amostra eclética do que é a nossa sociedade. Entre as informações gravadas nas placas de cerâmica estão livros resumindo a história de países ao redor do mundo.
Cidades e vilarejos também pediram para ter suas histórias locais incluídas. Mil dos livros mais importantes do mundo - escolhidos com a ajuda de um algoritmo da Universidade de Viena - também serão impressos nas tábuas.
Museus estão incluindo imagens de objetos preciosos de suas coleções que são acompanhadas de descrições do que aprendemos com esses itens.
Image copyrightMEMORY OF MANKINDImage captionAs placas são empilhadas em caixas de cerâmica que guardam nosso conhecimento em pedra para futuras gerações descobrirem
Também há placas com fotos de fósseis - dinossauros, peixes pré-históricos e ammonites (gênero de moluscos cefalópodes) - acompanhadas de descrições do que sabemos sobre eles.
Muito do material incluído nas placas está em alemão, mas há também placas em inglês, francês e outros idiomas.
Um punhado de celebridades também foi imortalizado nas criptas de sal. O ator e cantor David Hasselhoff, mais conhecido pelo seu trabalho no seriado de televisão Baywatch, conta com um registro longo, assim como a cantora alemã Nena, que ficou famosa com o hit dos anos 80 99 Red Balloons.
Junto com eles, há também uma placa detalhando a história de Edward Snowden e o vazamento de informações secretas da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), dos EUA.
A Universidade de Viena também tem colocado dissertações de doutorado premiadas e artigos científicos nas placas.
Nesse arquivo também estão placas que descrevem modificação genética e patentes de bioengenharia, explicando as descobertas feitas por cientistas modernos e como eles chegaram a essas conclusões.
Junto das pesquisas científicas, objetos do nosso dia a dia como máquinas de lavar, telefones celulares e aparelhos de televisão também estão sendo representados como um registro de como é a vida nos dias de hoje.
As placas também servem como um alerta e apontam locais onde resíduos nucleares foram despejados para que futuras gerações possam evitá-los ou limpá-los caso tenham desenvolvido a tecnologia necessária.
Jornais foram convidados a enviar editoriais diários para que um repositório de opiniões, assim como fatos, seja preservado.
De muitas maneiras, o problema real é o que não incluir. "Nós provavelmente temos 0.1% da literatura antiga, mas no mundo moderno publicar algo é tão fácil como postar algo na internet ou no Twitter", explicou Kunze.
"Publicações sobre ciência, voos espaciais e medicina - coisas nas quais realmente investimos - acabam perdidas em meio à massa de dados que produzimos. O Grande Colisor de Hádrons produz algo como 30 Petabytes de dados por ano, mas isso é igual a apenas 0.003% do tráfico anual da internet. Um fragmento aleatório de 0,1% dos nossos dados do presente dariam uma visão bem distorcida do nosso tempo."
Para resolver este problema, Kunze e seus colegas estão organizando uma conferência em novembro do ano que vem para reunir cientistas, historiadores, arqueólogos, linguistas e filósofos para criar um processo de como selecionar o conteúdo para o projeto.
A equipe também espera deixar imortalizado vestígios do cotidiano e incentiva membros do público a criar suas próprias placas.
"Estamos gravando receitas de cozinha, histórias de amor e acontecimentos pessoais", disse Kunze. "Em uma das placas uma menina incluiu três fotografias de sua primeira comunhão e escreveu um pequeno texto sobre isso. Elas dão ideias da vida diária que serão bastante valiosas."
Tuítes preservados
O MOM não é o único projeto que encara a difícil tarefa de preservar o conhecimento acumulado da humanidade. Bibliotecários ao redor do mundo também estão tentando lidar com o complicado problema de como salvar a informação da idade moderna.
A Universidade da Califórnia Los Angeles, por exemplo, está arquivando tuítes relacionados a grandes eventos e preservando-os em seus arquivos.
"Estamos selecionando tuítes do Cairo no dia da revolução de 25 de janeiro, por exemplo", explicou Todd Grappone, bibliotecário-associado da universidade.
"Nós estamos traduzindo-os para diversos idiomas e salvando-os em formatos que devem continuar sendo acessíveis no futuro. Estamos fazendo isso apenas digitalmente no momento, já que temos cerca de 1 mil vídeos feitos com telefones celulares apenas desse evento, mas o valor disso é enorme."
Outro projeto, chamado de Projeto Humano de Documentação (Human Document Project, em inglês), tem como objetivo gravar informação em pastilhas de tungstênio e nitreto de silício.
Inicialmente, eles estavam gravando essas pastilhas com dezenas de pequenos códigos de QR - um tipo de código de barra bidimensional - que podem ser lidos usando smartphones. Agora, eles dizem que os discos finais levarão informações escritas de uma maneira que podem ser lidas utilizando um microscópio.
Image copyrightMEMORY OF MANKINDImage captionPequenas fichas, espalhadas pelo mundo, guiarão futuras gerações até o arquivo subterrâneo que guarda nosso conhecimento
Leon Abelmann, pesquisador da Universidade Twente em Enschede, na Holanda, é um dos idealizadores do projeto. Segundo ele, a meta é produzir algo que conseguirá sobreviver por um milhão de anos. Agora eles estão começando a colaborar com o MOM.
"Nós ficaríamos muito felizes se encontrássemos informações deixadas por uma forma de inteligência que foi extinta há milhões de anos", disse ele.
"Então acreditamos que seres inteligentes do futuro também ficarão felizes. O simples fato de que precisamos ter uma visão afastada de nós mesmos pode fazer, espero eu, com que percebamos que as diferenças entre nós são triviais."
Localização
Enterrar essas placas debaixo de uma montanha, porém, pode fazer com que seja improvável que gerações futuras consigam encontrá-las. Por isso, o MOM gravou pequenas fichas com um mapa localizando onde os arquivos estão.
Essas fichas estão sendo distribuídas para todos os participantes do projeto para que, assim, eles possam enterrá-las em locais estratégicos ou passá-las para as próximas gerações.
Para garantir que a pessoa que encontre as placas consiga, de fato, ler o que está gravado nelas, a equipe do MOM tem criado sua própria versão da Pedra de Roseta, que foi fundamental para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios, com milhares de imagens etiquetadas com seus nomes e significados.
Todo este esforço demonstra o tamanho da pretensão do que o grupo deseja realizar. Os indivíduos que encontrarem essa mina de ouro de conhecimento podem ser bem diferentes de nós.
Em alguns milhares de anos a civilização pode ter avançado para além de nossas previsões ou pode ter retrocedido para uma era das trevas. Talvez nem sejam humanos os descobridores de nossas memórias. "Poderia ser uma outra forma de vida inteligente", disse Kunze.
Nós nunca saberemos o que os arqueólogos do futuro pensarão da nossa civilização quando eles tirarem o pó dessas placas daqui milhares de anos, mas podemos ter a esperança de que, assim como os sumérios, nós não seremos esquecidos.
Hidden chambers adjoining King Tut's mausoleum promise exciting archaeological finds. What they conceal remains a mystery. Nicholas Reeves believes it's the mysterious queen Nefertiti - and others don't.
In a paper British Egyptologist Nicholas Reeves published last August , he claimed that Nefertiti's tomb may be hidden in rooms adjoining King Tut's burial chamber.
Now Egyptian antiquities minister Mamduh al-Damati has declared experts are "approximately 90 percent" sure that they will be finding "another chamber, another tomb, behind the burial chamber of King Tutankhamun." Al-Damati made the statement at a press conference on Saturday (28.11.2015).
What the chamber actually conceals is still a mystery, and gaining access to it will take months.
"I think it is Nefertiti, and all the evidence points in that direction," said Reeves. If he's right, it could turn out to be the greatest archeological discovery since Howard Carter, another British Egyptologist, found Tutankhamun's tomb in 1922.
Reeves maintains that the mysterious queen was the boy-king's mother and that she ruled over Egypt, succeeding her husband King Akhenaten, but these views are controversial. Click through the gallery above to discover why Nicholas Reeves believes Nefertiti is buried in a chamber right by Tutankhamun and why others prefer to remain more cautious - or even say that Reeves' claim is simply impossible.
New publications and recent developments in the field.
The Temple of Antoninus and Faustina
Archaeologists and historians are making increasing use of exciting developments in digital visualisation. A digital model of a site or building is a versatile tool, which can be easily edited and adapted to research, teaching, online and print publication, museum and documentary use.
Archaeologist James Packer and architect and illustrator Gil Gorski were early adopters of this technology, in the late 1990s, using it to create reconstructions of the Forum of Trajan in Rome. They have now turned to the Roman Forum itself. Their handsome new book, The Roman Forum: A Reconstruction and Architectural Guide (Cambridge), is grounded in the abundant archaeological and literary source material for this important area. It is an excellent example of how digital visualisation can enhance (and must draw on) more traditional scholarship.
The foundation of the book is a detailed reconstruction of the main Forum square and its surrounding buildings, set (mostly) just after AD 360. Images generated from the model illustrate a history of the Forum’s development and a topographically-organised architectural guide to each of its monuments, such as the Temple of Antoninus and Faustina (above). A concluding section considers the Forum in different eras, including questions of motion and sightlines.
The authors revel in the endless adaptability of their digital creation to illustrate their text. We see elevations, overhead views and plans, sections, colourful perspective views, watercolourish scenes evoking the École des Beaux-Arts and plenty of ‘entourage’ – dramatic lighting, human figures, snowfalls, sunsets and even, in the frontispiece, the authors themselves in Roman dress. More seriously, the potential for this sort of reconstruction to show alternative presentations is explored by, for instance, the Basilica Julia with and without a conjectural terrace at first-floor level, or different roofing solutions for the Temple of Vesta: there are also experiments with painted decoration (which the authors tend to avoid for lack of firm evidence).
The presentation is lavish, with full-page colour illustrations, diagrams, photographs and several fold-out panoramas and maps. This is a beautiful book, like Andrea Carandini’s recent Atlante di Roma Antica (Electa), and can be enjoyed as much for the quality of its pictures as for the clear presentation of the information on which they depend. As with Carandini’s work, there is scope for an online version, but this book is a landmark in the print possibilities of digital archaeological visualisation.
Digital archaeological techniques are also increasingly used to record ruins in vulnerable heritage sites. Recent outrages, including the barbaric murder in Palmyra of 82-year-old Head of Antiquities, Khaled al-Asaad, leave this and many other wonderful sites heavily damaged and inaccessible for the foreseeable future. A 3D digital record of such sites would at least mean that they were in some sense accessible to scholars and virtual ‘visitors’ around the world.
The Institute for Digital Archaeology (IDA), a joint venture between the universities of Harvard and Oxford, has launched an ambitious attempt to ‘crowdsource’ a Million Image Database of 3D images of threatened sites and objects. It has developed an inexpensive camera for field users – local museum affiliates, embedded military, NGO employees, and volunteers – to take and upload GPS-tagged 3D images, which will eventually reside in an open-source, Wikipedia-style online database.
The Million Image Database is a great example of a collaborative project harnessing technology to record imperiled sites. Imaginative individuals with the right skills can also make a difference: the Palmyra Photogrammetry project is the brainchild of one UK archaeologist, Conan Parsons, who is seeking photos of Palmyra to feed into photogrammetric software. With enough points of reference, this software can compare photos taken from different angles and locations to build up a ‘point cloud’, which can then be used to generate a navigable 3D model of the site, including buildings now destroyed.
http://www.digitales-forum-romanum.de - German digital reconstruction project, also looking at the Roman forum and reconstructing in in several different historical periods.
Matthew Nicholls is Associate Professor in Classics at the University of Reading.