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Diretor espera reabrir Museu da Língua Portuguesa até 2018

O diretor do Museu da Língua Portuguesa, Antonio Carlos Sartini, 55, espera reabrir o espaço na estação Luz até 2018. O museu, um dos mais visitados da capital paulista, foi destruído por um incêndio em 21 de dezembro.

O bombeiro civil Ronaldo P. da Cruz, 39, morreu no incêndio.

Em entrevista à Folha por telefone, Sartini justifica a esperança: poucas horas depois do incêndio, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) garantiu que o local será reconstruído —o acervo do museu, todo digital, foi preservado, pois havia cópias.

"O governador inaugurou o museu em 2006. Imagino que queira reabri-lo em 2018, último ano do mandato. É uma convicção minha, acho que é possível", disse.

Mas não será fácil: a restauração do prédio histórico da Luz, onde ficava o museu, não depende do diretor. A secretaria da Cultura afirma que ainda não há previsão para o início das obras. "Quando o prédio estiver pronto, conseguimos instalar tudo em seis meses", fala, entusiasmado.

Por enquanto, há diversas promessas de ajuda, inclusive do governo de Portugal.

Sem sede, o museu vai atuar em outras frentes. "Como a língua, o museu continua vivo", diz. Ações educativas e de pesquisa serão feitas em bibliotecas e estações de trem, como a própria Luz.

As exposições temporárias, famosas por homenagear grandes escritores da língua portuguesa, devem continuar em outros espaços da capital, segundo o diretor.

Duas delas estão na pauta e dependem, principalmente, de verba: uma de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) e outra sobre o português José Saramago (1922-2010).

Diretor do museu desde a inauguração, em 2006, Sartini diz que prédios tombados como a Luz têm dificuldade em se adequar para conseguir laudo dos bombeiros para funcionar. Todo o complexo da estação Luz, que inclui o museu, não possuía o documento. Leia entrevista abaixo.

Bruno Poletti/Folhapress 
Antonio Carlos Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa


Folha - Quando o museu será reaberto?
A obra de restauro é delicada. Me anima saber que o governador do Estado garantiu que vamos reconstruir e reabrir o museu. Foi ele quem inaugurou em 2006. Imagino que ele vai querer reabri-lo até 2018. Acho que é possível. Há um desejo da secretaria de Cultura em reabrir o mais rápido possível.

Diante da crise, o governo do Estado tem dinheiro para a reconstrução?
Não sei. Mas quando o governador vem a público dizer que vai reabrir é muito significativo. Em 2006, quando inauguramos, havia recursos do governo, mas a maior parte era da iniciativa privada.

Quanto vai custar?
Ainda é cedo para dizer.

O governo de Portugal se comprometeu em ajudar?
É verdade. O ministro da Cultura de Portugal [João Soares] e de Negócios Estrangeiros [Augusto Santos Silva] nos falaram, via consulado, que o governo de Portugal quer colaborar.

Com dinheiro?
Acredito que sim, mas parceria institucional e de conteúdo também abre possibilidade. Também recebemos mensagens de empresas e de pessoas de outros países. Alguns dizem: 'tenho um dinheirinho, como faço para ajudar?'

A Fundação Roberto Marinho, que implantou o museu, vai participar dessa vez?
Tenho certeza que sim. Vi pela imprensa que estão interessados. Também recebemos mensagens da Calouste Gulbenkian [fundação portuguesa de apoio à cultura]. Eles se colocaram à disposição para esse processo.

O museu pode funcionar provisoriamente em outro local?
O museu continua vivo, mas estamos sem sede. As ações educativas e de pesquisa estarão espalhadas pela cidade, em estações de trem.

E as exposições que estavam previstas serão canceladas?
Não diria isso. Temos exposições ainda na pauta. Uma é sobre o João Ubaldo Ribeiro, e depende de conseguir recursos. Estou conversando com a Pilar, viúva do José Saramago, para uma exposição sobre ele. Estamos estudando usar outros espaços da cidade para as exposições.

Vai mudar algo na concepção do museu? Alguns críticos dizia que faltava uma biblioteca.
Acho que não vai mudar. O formato do museu era acertado. Perto da Luz, temos a segunda maior biblioteca do país, que é a Mário de Andrade. Não faz sentido você começar uma do zero.

A estação Luz e o museu não tinham laudo dos Bombeiros para funcionar. Por quê?
Todos os prédios tombados têm uma muita dificuldade quanto a isso. Exigem uma coisa, mas o tombamento não permite que você mude. Outro fator é que a estação Luz é um condomínio: tem o museu, estação de trem e de metrô. Nós tínhamos todos os equipamentos solicitados pelos Bombeiros. Estávamos em dia e atuante.

O sr. estava no museu na hora do incêndio? Sabe como começou?
De segunda-feira fazíamos manutenção, não era aberto ao público. Tudo indica que começou no primeiro andar. Mas essa questão agora saiu das nossas mãos, depende da polícia científica. Estamos colaborando.

O sr. está à frente do museu desde 2006. Como foram esses dias após o incêndio?
Parece que perdi um ente querido. É um vazio muito grande. Alterno momentos de depressão e de entusiasmo, pela chance de reabrir.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] How a German museum is restoring a legendary Pollock

Jackson Pollock's iconic "Number 32" is undergoing restoration in Germany. A special method was developed to clean the painting, without affecting its famous drips - and other personal touches.



In 1950, US artist Jackson Pollock dripped black paint onto a 12-square-meter (129-square-foot) canvas he had spread out on the floor. The work, called "Number 32," is now considered one of the most radical paintings of Abstract Expressionism.

Now owned by the art museum Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen in Dusseldorf, the painting is undergoing its first cleaning in 65 years.

The museum's director of restoration, Otto Hubacek, discussed with international colleagues different ways to whiten the now gray-yellowish canvas, but finally decided to develop his own method, which he plans to present soon at the Metropolitan Museum of Modern Art in New York, according to German news agency dpa.

Inspired by restoration done on paper works, Hubacek built a device which blasts wheat starch on the canvas. The starch is then carefully cleaned with a miniature brush set on a vacuum cleaner. The black paint on the canvas is to be avoided during this cleaning process, as the starch could affect it.

This painstaking process will require between 200 and 300 hours of restoration work, which Hubacek wants to undertake himself, comparing his detailed approach to "handwriting."

Through his exploration of the painting, Hubacek has discovered traces of footprints and coffee stains. These will stay on the painting, he says, as "The coffee stains belong to the work."

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Agnes Heller: "You always have a choice"

In the Interview: The Hungarian-Jewish philosopher Agnes Heller.
The Hungarian-Jewish philosopher Agnes Heller talks to Deutsche Welle about persecution, escape and freedom.



[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Bosnian home of a Jewish treasure reopens

Although the National Museum of Bosnia-Herzegovina in Sarajevo was closed in 2012, thanks to the efforts of staff and activists, the country's shared Muslim, Jewish and Christian heritage is once again on show to the public.


[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] The whirling dervishes: A gentle face of Islam


[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Germany's main Jewish organization approves publication of annotated 'Mein Kampf'

A Jewish group in Germany has given its approval to the publication of a version of Hitler's manifesto with scholarly annotations. The book is scheduled to be reprinted in its new edition in January.



The Central Council of Jews in Germany said it approves of a specially annotated version of Adolf Hitler's notorious autobiographical manifesto, a month before the book is set to become part of the public domain.

The two-volume "Mein Kampf" outlined Hitler's political philosophy and contained numerous anti-Semitic remarks about Jews that some historians argue foreshadow the Nazi leader's plans to eradicate the ethnic group.

Originally published in 1925 and 1926 respectively, the two volumes have not been published in Germany since the end of World War II. However, the Institute of Contemporary History in Munich said it plans to publish a critical, annotated version of "Mein Kampf" in January.

Monitoring 'necessary'

In an interview with the German daily newspaper "Handelsblatt," Josef Schuster, head of the Jewish organization, said the publication of "Mein Kampf" could prove valuable, but also that it needed to be monitored.

"Knowledge of 'Mein Kampf' is still important to explain National Socialism and the Holocaust," Schuster said, referring to the political ideology of the Nazi Party and the genocide that led to the deaths of some six million Jews.

He went on to say it was important that authorities prevented the spread of unannotated copies of the book.

People in Germany who publish unedited reprints of the book face charges of inciting racial hatred - a crime in the country that can carry up to five years in jail.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] How booksellers will deal with 'Mein Kampf'

An annotated edition of Adolf Hitler's "Mein Kampf" will be released in German in January. Amazon plans to donate its proceeds. Many bookstores seem uncomfortable with promoting the anti-Semitic work.



Hitler's manifesto has not been published in Germany since 1945. The government of the state of Bavaria controlled the rights of the Nazi work, but now, 70 years after the death of the dictator, the copyright expires.

The Institut für Zeitgeschichte (Institute of Contemporary History) in Munich has prepared an almost 2,000-page long scholarly edition of the controversial work, which will hit the bookstores in January.

Now major booksellers are reflecting on how they will deal with the long-forbidden militaristic screed.

Hitler prepared his lengthy autobiographical work during his time in prison, after he tried to grab power in Munich in 1923 through a failed putsch. Promoting his anti-Semitic ideas, the book became popular and helped him rise to power in 1933. The royalties from the sales created a small fortune for him.

Now retailers are trying to determine what they will do with the revenues generated by the new edition. Online retailer Amazon has announced that it will donate the proceeds to charity, according to a spokesperson.

The German bookstore chain Thalia said it is not planning to promote the book and will only order it "if a customer explicitly wishes a copy," said a company representative.

Competing chain Hugendubel declared: "Our customers can find everything in our store that is not prohibited," but manager Nina Hudendubel did not specify how and if the book will be on display in her stores.

The German Publishers and Booksellers Association did not provide any specific guidelines on how to market the new edition of "Mein Kampf," but expects "its members to deal with the commented edition of the work responsibly."

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] 'Immunizing pupils against extremism' with Hitler's 'Mein Kampf'

Ahead of the release of an annotated version of Adolf Hitler's "Mein Kampf," the president of the German Teachers' Association has suggested that schools should study the text. In an interview with DW, he explains why.


Hitler's two-volume manifesto "Mein Kampf" outlined the soon-to-be Nazi dictator's political philosophy and contained numerous anti-Semitic remarks that some historians argue foreshadowed his plans to eradicate the Jews.

Originally appearing in 1925 and 1926 , the two volumes have not been published in Germany since the end of World War II. The Institute of Contemporary History in Munich now plans, however, to publish a critical, annotated version of "Mein Kampf" in January 2016.

DW: What do you think can be achieved by school pupils studying Hitler's "Mein Kampf"?

Josef Kraus: I don't think that all of "Mein Kampf" should be read in schools. Instead, what I've proposed is that excerpts should be read in sixth forms in the hope that young people can become immunized and resistant to extremist notions. It would show them how an ideal or ideology can lead to a catastrophe such as the 12 years of mass murder seen in 12 years of German history.

At 16 to 18 years old, sixth-form pupils can still be very impressionable. Do you have any concerns that reading "Mein Kampf" could have the wrong effect?

That is a question of having professional and educated teachers. I trust our teachers, in particular those teaching history, politics, ethics and religion. Of course, the issue must be approached sensitively. National Socialism is a core topic of our history classes, and I would hope, for example, that every German pupil leaving school, after appropriate preparation and discussion, has visited a concentration camp.

One shouldn't overcomplicate the proposal to discuss extracts from "Mein Kampf." Just two or three passages could be studied over the period of a couple of hours when pupils are already learning about National Socialism.

President of the German Teachers' Association, Josef Kraus
Which extracts of "Mein Kampf" would you deem as "teachable"?

From what we've heard, about 4,000 copies of the book will initially be published at the price of 60 euros (about $65) each. I recommend that Germany's 16 culture ministers commission a smaller version of 50, 60, 80 pages that one can read alongside the comments and information sources. This would be extremely helpful for the school pupils. In particular, I'd like to see extracts that make the hate against Jews very clear and reveal that Hitler obviously had a huge war in mind.

With right-wing populism on the increase, and groups such as HoGeSa and PEGIDA marching the streets of Germany, is now the best time to be studying "Mein Kampf"?

What's much more dangerous is remaining silent or completely banning the book. Nowadays, with the power of the Internet, everyone has access to everything. So it's more important to me that something like this can be discussed in a differentiated and critical manner. One thing we know from the Federal Department for Media Harmful to Young Persons is that when young people are prohibited from accessing something like a banned text, their curiosity increases, and then we have no chance of influencing them at all.

Around 100,000 Jews live in Germany today. Would studying "Mein Kampf" be problematic for or disrespectful to the Jewish population?

I know many Jewish people, including the president of the Central Jewish Council, who could also imagine the approach to the texts I have described. The former president of the Central Jewish Council, Charlotte Knoblauch, has spoken out against it, but others agree with me. One can discuss the topic in many different ways. The question is how to implement it.

I think it's in the interest of our Jewish fellow citizens to deal with this part of German history authentically. It has nothing to do with propaganda, nothing to do with nostalgia or a return to the National Socialist period. Instead it's to do with our young people being immunized against extremist views. And, of course, I would hope that Jewish citizens would play a role in how this is approached in schools, and participate in these lessons.

Josef Kraus has been the president of the German Teachers' Association since 1987. Between 1993 and 1996 he was a member of Germany's Federal Department for Media Harmful to Young Persons (BPjM), a government agency responsible for indexing media works alleged to have a deleterious effect on young people.

Fonte: Deutsche Welle. 

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIAS] New edition of 'Mein Kampf' will shed light on Hitler, Nazis

Hitler's "Mein Kampf" is set to return to stores in January, published by the Institute for Contemporary History in Munich. Andreas Wirsching, the institute's director, told DW why the new edition is necessary.


DW: Coming in at about 2,000 pages, this annotated edition is quite lengthy - longer than Hitler's original manuscript. Who is the intended audience?

Andreas Wirsching: Our edition is particularly aimed at historical researchers. It can't be denied that Hitler's "Mein Kampf" is certainly an important historical document. The book is a source for information on his life, his thinking and most importantly, the history of National Socialism as a whole, and therefore it's meant for research purposes.

But I'm certain that with this edition's styling, we will reach an even wider audience due to the great interest in this topic. The commentaries are in part brief academic annotations, and we have added a detailed index to easily access the content. Public interest in this topic is so vast, and so we hope that maybe a few non-experts will also take a look at our edition.

What is the purpose of these commentaries?

Just as in every other historical edition, the commentaries will mainly serve to include more historical context. The commentaries present facts about people who are only briefly mentioned, but who played an important background role. The fundamental purpose of the commentaries, and perhaps their most important function, is to cut off Hitler's demagogic discourse, fully exposing his half-truths, his provocative remarks and his downright lies. Another purpose of the commentaries is to point out what happened after 1933. It would be unusual for a normal edition to take a look into future events, but we do so in our version since much of what Hitler wrote in "Mein Kampf" became a brutal reality after 1933.

"Important" to present "Mein Kampf" with historical
and academic context: Wirsching
Does this edition include the original text, word-for-word?

Since our edition provides an academic service, it includes and cites the complete first editions published in 1925 and 1927, printed with the original page numbering. The book includes the whole first edition, along with some variations from later editions. The later editions are only briefly examined, as they do not add much more context.

Ideally, what do you want to accomplish with this book?

The situation is especially controversial now, because the book's copyright will expire in January. It would not be a good idea - irresponsible, to say the least - to allow this text to freely circulate. Therefore, it's important that our version portrays contextual and academic references in an informative political and historical manner. That's actually the main goal, and I'm relatively optimistic that this will be possible. Looking at this edition, the reader will find a lot of new information that will help to better understand the text, section by section. Ideally, this will also help readers better understand the history of the Nazis.

Yes - history is a science that goes hand-in-hand with enlightenment. For example, in respect to Hitler's idea of a war in the so-called "Lebensraum" in Eastern Europe, the main ideas here are Poland in 1939 and then the invasion of the Soviet Union in 1941. With topics such as forced sterilization and anti-Semitism, there's a clear link to the Nuremberg Laws of 1935.So the new edition is about historical enlightenment?

The state of Bavaria initially agreed to financially support this project, but decided against it after a visit to Israel by State Premier Horst Seehofer, who was made to understand that many people there were not particularly enthusiastic about the idea. How did you react?

I'm not aware of exactly what happened during that trip. In any case, after the 2013 elections, which resulted in a shakeup at the Culture Ministry, they told us that the state didn't want to support the project any longer, out of respect for Holocaust victims. I can understand that argument. Respecting the dignity of the victims and empathizing with them is a must and we do that as well, without question. In this respect, we understood the decision of the Bavarian government, but we weren't happy about it. After a reallocation of funds, however, we were able to finish the project.

Beginning on January 1, anyone will be allowed to print this book, even without commentary. Are there publishers interested in doing so?
The cover of the new edition will be simple. Unlike previous versions,
it won't feature Hitler or Nazi symbols

I don't know of any German publisher that's interested in producing any new edition of "Mein Kampf," and I don't believe that it will happen any time soon. Of course, the question is if our project had anything to do with that, since it has been widely covered by the media and the public has known about our edition for some time now. If our project has dissuaded other companies from making their own version, then it's safe to say that part of the project's political purpose has been accomplished.

There will be a Kindle version of "Mein Kampf" available through Amazon starting next month, and if I'm not mistaken it will more or less consist of the 1943 version, the original text and nothing else. That's problematic - I think it's important to include a critical and academic reference for the reader to rely on.

Do you fear that interest in this book, with or without commentary, will spike due to the current political situation and radical groups such as the anti-Islam PEGIDA?

We've considered this possibility, but I would say that our edition is not useful for radical or neo-Nazi purposes. Our rule was that every passage that Hitler wrote in "Mein Kampf" would be accompanied by a commentary. That way, when people read the book, they'll be obliged to notice the commentaries and take them into account. Any Hitler sympathizers who might be interested in the book are better off looking elsewhere.

"Hitler, Mein Kampf. A Critical Edition" will be available in German on January 8.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] 'The Jungle Book' set for comeback 150 years after Kipling's birth

"The Jungle Book," one of Rudyard Kipling's best-known works, has been beloved by children for decades. But 150 years after his birth, the British author's legacy has been marred by his staunch support of colonialism.


Rudyard Kipling is perhaps best remembered today for "The Jungle Book" and other popular children's adventures stories. But in the late 19th and early 20th century, Kipling was among the most popular British writers of the day, and his books were translated into numerous languages.
Kipling: a "vulgar flagwaver" and "gutter patriot,"
according to Orwe
ll
His legacy today, however, 150 years after his birth, has been marred by the fact that Kipling, who spent his early childhood and some of his adult life in India, vehemently spoke out in defense of British colonialism.

Other writers, such as Argentinean author Jorge Luis Borges, accused him of painting too rosy a picture of colonial exploitation. More than anything else, Kipling's poems came under attack - in particular "The White Man's Burden" (1899), which many have interpreted as a justification of imperialism.

Author George Orwell even called Kipling a morally insensitive "vulgar flagwaver" and "gutter patriot" in a 1942 essay. In spite of such criticism, Kipling's 1901 masterwork "Kim" for which he was awarded the Nobel Prize for literature in 1907, was one of the favorite novels of Jawaharlal Nehru, India's first prime minister. In 1950, the novel was adapted into a movie starring Errol Flynn.

Inner conflicts

Born in what was then Bombay, on December 30, 1865, Kipling felt at home in India - much more so than in England later on. Both his father, who worked as an art school teacher, and his mother showed little interest in their son, and he was raised by a Portuguese nanny and Indian servants. English was like a foreign language to him. At age 6, he was sent to live with foster parents in England in order to receive a good education. In his biography, Kipling recounts the strictness and stringency that reigned in his foster home.

In 1877, his mother joined him in England. One year later, the boy was accepted by the United Services College, a military school where chastity and austerity were high on the agenda. Some of Kipling's stories were inspired by that deeply unhappy period in his life. In 1882, at the age of 17, he was finally able to return to his beloved India.

Literary beginnings

Kipling's father, by now the influential director of a museum in Lahore, Pakistan, saw to it that his son found employment at a local Indian newspaper. In his diary, Kipling described the return to his native Bombay as a happy event, finally rid of the burden of England.
Robert Douglas and Errol Flynn (right) starred in the successful 1950 film adaptation of Kipling's novel "Kim"
Kipling soon learned to speak fluent Hindi and Urdu, and started to write short stories and poems. His employment as an editor enabled him to travel extensively throughout the vast Indian subcontinent. From 1880 onwards, he worked as a correspondent for "The Pioneer" and his books began seeing some sales success. During these years, he wrote his much-acclaimed short story "The Man Who Would Be King," which was adapted into a film starring Sean Connery and Michael Caine in 1975.


'The Jungle Book'

In 1889, Rudyard Kipling returned to London, the cultural and intellectual center of the former British Empire. As a member of the Freemasons, he quickly found access to numerous clubs. Among his writer friends was Henry James. Kipling's first full-length novel, "The Light that Failed," was published in 1890.

Following his marriage in 1892, Kipling and his wife spent four years in the United States. There, he began to write books for children and teenagers, among them the famous "The Jungle Book," followed in 1895 by "The Second Jungle Book".
After the death of his son in World War I, Kipling was never
 again able to repeat his earlier literary success

A family dispute forced Kipling and his family to leave the US and to return to Britain. There, he wrote adventure novels, seafaring stories and some ideologically controversial essays which never expressed any doubts about British colonialism.

Nevertheless, Kipling was an open-minded person in his own way, and the course of his life reflects the contradictions of the era, said German biographer Stefan Welz. "With his narrative style, which has a universal dimension to it, he has reached people from many diverse cultures," he said.

World War I aftermath

In 1907, Kipling received the Nobel Prize for literature, the first British writer to do so. But soon after, his life changed profoundly with the outbreak of World War I. His son, whom he had enabled to join the army by falsifying his birth certificate, was killed in the conflict. Kipling was never able to overcome his grief and guilt, and the optimism present in his earlier works was replaced by a more severe attitude towards life.

Kipling was never again able to repeat his earlier literary success. He died of a cerebral hemorrhage at the age of 70, in 1936. His ashes were interred in Westminster Abbey, right next to the graves of writers Charles Dickens and Thomas Hardy.

Kipling's novels and short stories are still popular to this day. A new translation of the novel "Kim" was recently published in Germany, and Disney is set to release a new film adaptation of "The Jungle Book" in the spring. Nearly 50 years after Mowgli, the bear Baloo, Bagheera, the panther and the tiger Shere Khan first appeared on screen in Disney's animated classic, "The Jungle Book" is set to make a triumphant comeback.

Fonte: Deutsche Welle 

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Documentos sobre Shakespeare 'vândalo' são abertos ao público

Em 1596, William Shakespeare e seus atores tiveram de deixar o teatro isabelino The Theatre, localizado em Shoreditch, em Londres, até então o recanto da dramaturgia inglesa. O período de 21 anos de concessão do terreno ao ator e empresário James Burbage havia chegado ao fim, e o senhorio exigia as terras de volta. Desolados, Shakespeare e os homens de sua companhia, Lord Chamberlain's Men, se uniram para roubar o teatro —tábua por tábua, prego por prego —e reconstruí-lo em outro lugar.

A história ocorrida em 28 de dezembro de 1598 não é inédita e consta em diversas biografias de Shakespeare. Agora, contudo, chegou o momento de ouvir o outro lado da ação: a justiça. De acordo com a transcrição do processo judicial de 1601, Shakespeare, seus atores e amigos (incluindo Burbage) foram "violentos" em uma ação "desenfreada" que destruiu o The Theatre. O documento diz que o dramaturgo e seus cúmplices estavam armados com punhais, espadas e machados, o que causou "grande distúrbio da paz" e deixou testemunhas "aterrorizadas".

O testamento de William Shakespeare é um dos documentos da exibição 

Até então guardado em segurança pelo National Archive, o arquivo do Reino Unido, o documento é uma das peças que serão exibidas ao público no centro cultural londrino Somerset House, a partir de fevereiro de 2016, ano em que se completam quatro séculos da morte do Bardo. O evento é promovido pelo arquivo nacional inglês e o London Shakespeare Centre, braço da King's College London para pesquisas e estudos da obra de Shakespeare.

"Estamos fazendo a montagem e a curadoria dos documentos para mostrar o drama dos eventos originais, a maneira pela qual eles foram passados às gerações ao longo do tempo", diz à Folha Gordon McMullan, professor de língua inglesa do London Shakespeare Centre.


HERANÇA

Além da transcrição da justiça sobre a ação da "gangue" de Shakespeare —que nunca foi julgado por isso—, há outros documentos do século 17 que rastreiam a vida do dramaturgo, desde os dias em que era pobre demais para pagar impostos —antes de cair nas graças do rei James 1º— até o testamento, em que lega à família bens de um homem em situação financeira confortável.

"O testamento joga luz sobre as relações familiares e sociais de Shakespeare", diz McMullan. Uma delas é a ligação conflituosa com a primeira mulher, Anne Hathaway, a quem deixou sua "segunda melhor cama e mobília". Muito se especula sobre o significado disso, mas, de acordo com o National Archive, isso significa que os filhos de Shakespeare ficariam com os melhores legados, enquanto à mulher caberia o que viesse depois.

Deixou, ainda, um grande valor —mas não especificado em cifras no testamento— à filha mais velha, Susannah Hall. À mais nova, Judith, coube a quantia de 300 libras —corrigido, o valor hoje seria superior a 50 mil libras, ou R$ 295,8 mil.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] “Sr. Holmes” traz uma história envolvente

Autor Mitch Cullins destaca um Sherlok Holmes diferente / Foto: Divulgação

Filho de sir Arthur Conan Doyle que caiu na vida, Sherlock Holmes é, há muito tempo, um personagem sem dono - faz e diz o que vários escritores diferentes lhe ordenam. Uma das encarnações mais recentes desse Sherlock desgarrado é “Sr. Holmes”, do inglês Mitch Cullins.

Este é um Sherlock Holmes diferente. Aos 93 anos, com saúde frágil, enfrenta o que parecem ser sintomas de uma degeneração neurológica. Esquece das coisas do dia a dia, confunde imaginação e realidade. Só as memórias mais antigas ainda surgem claras em sua mente.

Estamos em 1947. O protagonista de “Sr. Holmes” vive aposentado em uma propriedade rural na Inglaterra. Mas não é um interior inglês de aristocracia, opulência, morada de poderosos como, por exemplo, aquele de “Vestígios do Dia”, de Kazuo Ishiguro.

O cenário da aposentadoria de Holmes é uma chácara simples, com uma única funcionária. Ele se ocupa não mais de crimes misteriosos, mas da criação de abelhas. 

O enredo encontra o velho Sherlock Holmes em sua propriedade, poucos dias depois de voltar de uma viagem ao Japão, atendendo ao convite de um suposto apicultor de lá. Além de cuidar das abelhas, o velho se ocupa de remexer antigas anotações.

A estrutura do romance difere das histórias escritas por Conan Doyle (1859-1930). Naquelas, o narrador é quase, sem exceção, o assistente Watson. Aqui, não - Watson está morto.

A história de “Sr. Holmes” se desdobra em três tempos. Um deles, com narrador onisciente, trata do presente do Sherlock retirado, apicultor. O segundo, o da viagem ao Japão, da qual Holmes acaba de regressar, tem o mesmo narrador. E o terceiro é contado pelo próprio detetive, o das notas do começo de carreira, em que Holmes mistura observações técnicas com relatos de sua atração pela suposta mulher infiel.

Essa estrutura poderia derrapar em um exercício pretensioso de mudanças de vozes e de saltos temporais. Daqueles que, longe de mãos habilidosas de um Faulkner ou um Calvino, só servem para entediar e desorientar gratuitamente o leitor.

Não é o caso. As três histórias se sobrepõem com fluidez. E quando a narrativa salta de um tempo a outro, as interrupções servem como ganchos para cada um dos três mistérios: a mulher traía mesmo o marido? Quem era o estranho anfitrião de Holmes no Japão? E quem causou a morte na chácara de Sherlock?

Não se pode dizer que “Sr. Holmes” decepcione, pelo contrário. É uma história envolvente, que não por acaso virou filme.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Clássicos da literatura em versão quadrinhos são reunidos na coleção Cânone Gráfico

Em 2014, a editora Boitempo editou o primeiro e, agora, põe no mercado brasileiro o segundo livro da coleção


Imagens extraídas do Cânone: quadrinhos vivem um momento exitoso no Brasil. Editora Boitempo/Divulgação


Adaptar clássicos da literatura para outra linguagem é, desde sempre, uma constante no teatro e no cinema. Nas últimas décadas, tornou-se prática comum no universo dos quadrinhos ou, como alguns preferem, das novelas gráficas. A proliferação de artistas reconhecidos e de bons títulos tornou viável um projeto ambicioso do escritor norte-americano Russ Kick. Ele garimpou releituras já publicadas e encomendou novas HQs a mais de 130 desenhistas para lançar, em três volumes, o projeto Cânone gráfico, cujas 1600 páginas trazem versões de 190 clássicos literários. Em 2014, a Boitempo editou o primeiro e, agora, põe no mercado brasileiro o segundo livro da coleção.

A publicação coincide com um bom momento na produção nacional, a julgar pela qualidade de obras comoGrande sertão: veredas (Biblioteca Azul, R$ 199,90), ilustrada por Rodrigo Rosa e roteirizada por Eloar Guazzelli. O trabalho foi reconhecido como melhor adaptação para quadrinhos no prêmio HQ Mix e ficou em segundo lugar no Jabuti deste ano. Expoente do gênero, com adaptações de William Faulkner, E.E. Cummings e Eça de Queiroz no currículo, o quadrinista divulga a releitura de Vidas secas (Galera Record, R$ 49), ilustrada por ele a pedido do neto de Graciliano Ramos.

Para o roteirista, ilustrador e artista plástico, passamos por um momento especial nos quadrinhos brasileiros. “Há anos, o fato de as HQs entrarem nas compras governamentais fez surgir uma quantidade enorme de adaptações que são muito boas. Quando surgiu a demanda, não foi preciso formar ninguém. Os autores estavam prontos”, avalia Guazzelli.

Em Pernambuco, nomes como João Lin, Miguel e Laerte Silvino, cartunista do Diario, estão entre os artistas dispostos a recorrer aos clássicos para atualizar as narrativas em linguagem gráfica. Salvo exceções, como as encomendas, a escolha dos títulos a serem ilustrados está relacionada às preferências literárias dos artistas. “Machado de Assis é meu brasileiro preferido, então foi natural a opção por adaptar Conto de escola. Já I-Juca Pirama foi um livro cuja narrativa achei bacana, além de ser história com índios, de que gosto”, diz Silvino. 

Gigantes

Cânone reúne adaptações de obras relevantes do século 19:

Orgulho e preconceito, de Jane Austen
Frankenstein, de Mary Shelley
Oliver Twist, de Charles Dickens
Moby Dick, de Herman Melville
Folhas da relva, de Walt Whitman
Os miseráveis, de Victor Hugo
As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
O corvo, de Edgar Allan Poe
O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë
Anna Kariênina, de Liev Tolstói
O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski.
Assim falou Zaratrusta, de Friedrich Nietzsche
Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Clássicos literários adaptados para HQ ganham espaço no mercado editorial

Renata Farhat Borges, pesquisadora de quadrinhos e diretora editorial da Peirópolis, fala sobre a evolução do mercado e a coleção que já publicou 14 adaptações para quadrinhos

O lançamento de Cânone Gráfico – Clássicos da Literatura Universal em Quadrinhos, livro do americano Russ Kick que inaugura o Barricada, selo de HQ da Boitempo, foi assunto da matéria de capa do Caderno 2 do domingo, dia 9, assinada por Ubiratan Brasil.

Como esse tipo de adaptação tem sido frequente no mercado editorial brasileiro – especialmente pela possibilidade de venda para escolas -, conversei com alguns editores sobre o tema e a matéria também foi publicada no domingo.

Publico a seguir a entrevista que fiz com Renata Farhat Borges, pesquisadora de quadrinhos e diretora editorial da Peirópolis, cuja coleção de clássicos adaptados já conta com 14 volumes. Parte dela foi usada no texto orginal.
Caeto adaptou 'A Morte de Ivan Ilitch', de Tolstoi
Caeto adaptou ‘A Morte de Ivan Ilitch’, de Tolstoi

Por que adaptar uma obra literária para quadrinhos?

Para conquistar outros leitores para esta obra, para abrir seu sentido para a contemporaneidade, para oferecer leituras renovadas sobre mitos, personagens ou enredos que se tornaram clássicos e sobre os quais as atuais gerações jamais se debruçaram – porque não conhecem, porque nunca foram estimuladas a isso, porque não encontraram o caminho mais aprazível. Esse tipo de publicação nasceu nos Estados Unidos na década de 40 e até o final da década de 60 era tão popular ali quanto a boneca Barbie ou os cards. A coleção original era seriada e se chamava Classics Illustrated. Foi traduzida para mais de 26 idiomas em 36 países. O Brasil importou esta coleção por Adolfo Aizen, da Ebal – Editora Brasil América, que publicou por aqui mais de 200 títulos, sendo que muitos deles eram criações originais, quadrinizações de obras brasileiras, especialmente do Romantismo, especialmente José de Alencar, mas também autores como Bernardo Guimarães, Manuel Antônio de Almeida, Camilo castelo Branco, Dinah Silveira, entre outros. Mas as motivações foram um pouco diferentes no século 20 e no século 21. No século 20, além das razões que continuam atuais, como popularizar obras clássicos, oferecer aperitivos de leitura, a literatura em quadrinhos buscava emprestar algum prestígio para a linguagem dos quadrinhos, jovem e na época vítima de muitas críticas por parte de pais e educadores em todo o mundo.

Como é o interesse do leitor brasileiro por esse tipo de livro?

A coleção brasileira no século 20 foi muito popular no Brasil entre as décadas de 40 e 60. O ressurgimento que atestamos hoje se iniciou a partir de 2006, quando os editais de compra de governo, por diferentes motivos, dentre os mais importantes a ampliação do conceito de letramento iniciada com a LDB e os PCNs, passaram a nomear as quadrinizações nas demandas das bibliotecas. Ainda restrito nas vendas no varejo, este tipo de publicação tem tido neste século mais penetração em escolas e universidades. No entanto, as redes de livrarias já dedicam espaço às adaptações literárias na área de quadrinhos, como você pode verificar na imagem anexa, provavelmente para atender demandas que se iniciam no ambiente da escola. Esse cenário é bem diferente do que ocorria no século XX, quando as quadrinizações eram vendidas em bancas de jornais e compradas espontaneamente pelo leitor jovem.

E do Governo? Por que acha que esse tipo de livro entra nos programas de compra?

O Governo em suas diferentes instâncias entende as adaptações literárias como instrumentos interessantes de formação do leitor literário e porta de entrada para a leitura de grandes obras da literatura universal. Além disso, vem cada vez mais valorizando esse tipo de publicação por seu resultado estético final – ou seja, valoriza a adaptação de Caco Galhardo para Dom Quixote porque, além de oferecer ao leitor uma aproximação do jovem leitor com o universo do clássico de Cervantes, é muito bom como história em quadrinhos também.

Você já teve algum título selecionado? Se sim, quando foi isso e quantos exemplares foram vendidos?

Já tivemos três títulos selecionados: Dom Quixote em Quadrinhos, de Caco Galhardo, Os Lusíadas em Quadrinhos, de Fido Nesti, e Frankenstein em Quadrinhos, de Taisa Borges. Foram vendidos para governos, em média, tiragens de 20 mil, 30 mil.

Há demanda escolar?

Além das demandas dos editais de compra de governo em suas instâncias federal e estadual, muitas escolas particulares adotam quadrinizações de obras clássicas com sucesso. A coleção Clássicos em HQ, que hoje tem 14 títulos, tem vendido muito bem as quadrinizações de Os Lusíadas, por Fido Nesti, e Dom Quixote, volumes 1 e 2, por Caco Galhardo, além de Auto da Barca do Inferno, por Laudo Ferreira, Conto de Escola, por Laerte Silvino, dentre outros.

Por que não há muitas obras brasileiras adaptadas para HQ?

Das cerca de 400 quadrinizações literárias já publicadas no Brasil, mais da metade delas foi no século 20, quando a Ebal traduziu muitas quadrinizações feitas pelaClassics Illustrated – obras anglo-saxônicas, em sua maioria. Já naquela época, escolhiam-se muitas obras do século 19 porque o editor Albert Kanter tinha especial apreço pela literatura daquela época e porque as obras já estavam em domínio público. A partir de 2006, os editores brasileiros estão arriscando, e há coleções, como a da Peirópolis, que tem como premissa que as quadrinizações sejam feitas por artistas brasileiros, mas não restringe a obras brasileiras, e coleções especialmente dedicadas a obras brasileiras, como a da Ática. Das 14 quadrinizações da Coleção Clássicos em HQ, metade delas são de obras em língua portuguesa, de Portugal, como Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, ou Os Lusíadas, e do Brasil, como Conto de Escola e A Mão e a Luva, de Machado de Assis, I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, ou Demônios, de Aluísio Azevedo.
'A Mão e a Luva', de Machado de Assis, por Alex Genaro e Alex Mir
‘A Mão e a Luva’, de Machado de Assis, por Alex Genaro e Alex Mir

E por que há mais títulos clássicos do que contemporâneos adaptados?

Por várias razões: a primeira, na minha opinião, é que a motivação, o desejo de reabrir o sentido, reinterpretar uma obra ou oferecer uma nova leitura sobre um enredo passa por uma questão de distanciamento no tempo. A obra clássica normalmente não é clássica no seu tempo, mas torna-se clássica a partir do olhar das gerações posteriores e do consenso das forças que atuam no campo literário. A outra, também importante na história editorial das quadrinizações, é que essas obras estão em domínio público e portanto não é necessário negociar direitos autorais com autor vivo ou seus herdeiros, e muito menos negociar os sentidos da releitura proposta pelos quadrinhos. Eu mesma já tentei quadrinizar obras de autores brasileiros que não estão em domínio público e quebrei a cara. Porque os herdeiros não compreendem e acatam a autoria do quadrinista na adaptação.

Entre os títulos da coleção, quais foram os mais vendidos? E quantos exemplares foram comercializados?

Os títulos mais vendidos da coleção são Dom Quixote em Quadrinhos, Os Lusíadas em Quadrinhos, Frankenstein em Quadrinhos e, recentemente, Divina Comédia em Quadrinhos, Conto de Escola em Quadrinhos, A Morte de Ivan Ilitch em Quadrinhos. Ao todo, a coleção já vendeu cerca de 200 mil exemplares.

Quais serão os próximos lançamentos da editora nessa linha?

Fausto em Quadrinhos e Os Sofrimento do Jovem Werther em Quadrinhos. O primeiro, por Leonardo Santana e Rom Freire, e o segundo, por Daniel Gisé. Ambas quadrinizações são de clássicos da literatura germânica, de Goethe, e demonstram a variabilidade do gênero dos quadrinhos e as infinitas possibilidades e recursos da linguagem para lidar com roteiros clássicos.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Ex-operário, tradutor conclui trabalho com os 'cinco elefantes' de Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski (1821-1881) estava morto havia 80 anos quando Paulo Bezerra, paraibano de Pedra Lavrada, o encontrou pela primeira vez.

Na época, o nordestino radicado em São Paulo, então um militante de 21 anos do PCB (Partido Comunista Brasileiro), só tinha lido um livro na vida, "A Lã e a Neve", do português Ferreira de Castro. Por sugestão de uma amiga do Partidão, resolveu, em 1961, encarar "Crime e Castigo" na tradução das edições francesa e espanhola feita por Rosário Fusco e publicada pela José Olympio.

Fabio Teixeira/Folhapress
Paulo Bezerra em seu apartamento no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro

"Entendi muito pouco, mas fiquei fascinado com a história de Raskólnikov e o clima do romance", lembra.

Cinco anos depois, Bezerra imaginou, pela primeira vez, verter "Crime e Castigo" para o português direto do russo. Era um aluno de tradução da Universidade Estatal de Moscou, quando encontrou a mesma edição da José Olympio numa biblioteca. Aproveitou para cotejar com o original russo a versão de Rosário Fusco.

"Foi impressionante: era como se autores diferentes contassem a mesma história, cada um a seu modo", diz.

Trinta e cinco anos depois do vislumbre foi lançada pela editora 34 a tradução de Bezerra para o clássico de 1866 –a primeira versão direta do russo publicada no Brasil.

Ali começou a saga de verter diretamente da língua original os "cinco elefantes de Dostoiévski", apelido dado aos romances da maturidade do escritor no documentário "Die Frau mit den 5 Elefanten" (a mulher com os 5 elefantes), sobre a história de Svetlana Geier, que, como Bezerra, traduziu do original os cinco grandes romances, só que para o alemão.

Além de "Crime e Castigo", integram a lista "O Idiota" (1869), "Os Demônios" (1872), "O Adolescente" (1875) e "Os Irmãos Karamázov" (1881).

A saga de Bezerra chegou ao fim neste ano, uma década e meia depois, com o lançamento da tradução de "O Adolescente" para a editora 34.

"Meu pai era ferreiro; minha mãe, costureira –logo, não podiam custear meus estudos", lembra o tradutor de 75 anos que, aos 10, garimpava minério no Seridó da Paraíba. Também trabalhou em farmácias e no comércio, tentou –sem sucesso– se alistar na Marinha e ajudou um tio na construção de açudes.

Deixou o nordeste aos 18 em direção a Atibaia (SP). Após dois meses trabalhando numa granja, rumou para a capital e, depois, Guarulhos (SP), onde morou com o irmão, soldador e mecânico de uma fábrica e militante sindical.

No começo 1960, seguiu os passos do mais velho. Virou operário. Foi quando começou a se envolver com o movimento sindical e, por fim, se filiou ao PCB. Pela filiação, acabava demitido de todas as fábricas. Chegou a ser preso em 1962, durante uma greve. Foi liberado horas depois, mas não conseguia mais emprego.

No ano seguinte, aceitou o convite do PCB de fazer um curso de formação política em Moscou. Deixou o Brasil com um manual de russo, onde aprendeu o alfabeto cirílico e nada mais. "Eu só falava o português, minha formação regular era o curso primário e o curso de desenho mecânico."

OITO ANOS

Veio o golpe militar de 1964. Bezerra, comunista fichado pela polícia, não tinha como retornar. A estada, que deveria durar seis meses, se estendeu por oito anos. Nesse período, ele ingressou na universidade e trabalhou na Rádio Paz e Progresso, dedicada a questões políticas. Também conheceu Ênio Silveira, fundador da editora Civilização Brasileira.

"A ditadura assustava qualquer um, sobretudo quem trabalhava com jornalismo na União Soviética e estava bem informado do que acontecia por aqui", conta. Por orientação do PCB, retornou ao Brasil pelo Uruguai. "O clima era sinistro, sentia-se o perigo no ar." Como fora preso em São Paulo, decidiu se fixar no Rio. Era uma forma de precaução.

De volta ao país natal, Bezerra fez letras na Universidade Gama Filho e se tornou mestre e doutor pela PUC-Rio e livre-docente em literatura russa pela USP. Também reencontrou Silveira. Dessa primeira visita ao Brasil, em 1971, saiu com "Fundamentos Lógicos da Ciência", de Pavel Kopnin, para traduzir.

"Foi meu primeiro contrato de tradução", diz. Hoje, tem no currículo 33 obras traduzidas ao português, o que o torna um dos grandes tradutores de russo do Brasil, país até o século 20 acostumado a tradução de traduções do espanhol, do francês e do inglês.

Para Bezerra, "parafraseando Platão, o tradutor de texto indireto é um imitador de terceira categoria". Ele diz que o texto perde as peculiaridades das falas das personagens dostoievskianas, tornando-as claras e elegantes. Algo oposto a Dostoiévski, que "é rude, áspero, deselegante quando a forma o requer; logo, estilizá-lo e torná-lo palatável às chamadas regras do bem escrever significa trair uma peculiaridade essencial de seu estilo".

Aspereza que toma tempo: Bezerra leva, em média, dois anos e meio para traduzir e revisar cada obra.

TRADUTOR COMENTA TRADUÇÃO DOS CINCO ROMANCES

"Crime e Castigo"
Publicação: 2001
Sinopse: Dostoiévski narra a história do estudante miserável que assassina uma idosa e não consegue se livrar do peso do remorso.
Nota do tradutor: "O principal é encontrar a linguagem específica de Raskólnikov, manter o padrão de aproximação e distanciamento ao longo do romance."

"O Idiota"
Publicação: 2002
Sinopse: O príncipe Míchkin é um indivíduo virtuoso que, inadaptado, passa por "idiota" numa sociedade corrompida.
Nota do tradutor: "A grande dificuldade foi traduzir o prenúncio da epilepsia de Dostoiévski, em que os pensamentos eram desestruturados."

"O Adolescente"
Publicação: 2015
Sinopse: Romance de formação, com um jovem de 20 anos que busca ser aceito na sociedade russa no começo do capitalismo.
Nota do tradutor: "Dos cinco livros, este foi o mais leve de traduzir, pois se trata de um romance praticamente sem a tragédia dos demais."

"Os Demônios"
Publicação: 2003
Sinopse: O autor cria uma ficção a partir de um episódio verídico: o assassinato de um estudante por um grupo niilista.
Nota do tradutor: "Este romance tem uma dinâmica de crônica, diferente da das demais. O narrador está dentro da narrativa -não participa, mas vê."

"Os Irmãos Karamázov"
Publicação: 2008
Sinopse: O último livro de Dostoiévski trata da conturbada relação entre Fiódor Karamázov e seus três filhos.
Nota do tradutor: "Foi um dos mais difíceis de traduzir. A mulher do capitão Sneguirióv tem problema de cabeça e sua linguagem é embaralhada, descontínua."


[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Ku Klux Klan ressurge nos EUA no ano de seu 150º aniversário

"Tentam destruir a Klan desde seu nascimento, em 1865. Mas 150 anos depois continuamos aqui." Quem fala assim é James Moore, ou "Kludd Imperial", título equivalente ao de capelão, dos Cavaleiros Brancos Leais da KKK, enquanto se dirige aos presentes a um encontro da Ku Klux Klan na zona rural do Alabama, nos EUA.

Pouco depois, Moore diz que a mais conhecida organização supremacista branca do mundo conseguiu 20 novos membros durante aquele evento.
BBC
Grupo de simpatizantes da KKK se reúne no Alabama, no sul dos EUA
Grupo de simpatizantes da KKK se reúne no Alabama, no sul dos EUA

A cena, registrada no documentário da BBC "KKK: a luta pela supremacia branca", se deu quando ainda faltavam alguns meses para o 150º aniversário da organização, fundada em 24 de dezembro de 1865.

Meio século e meio depois de seu nascimento, a Ku Klux Klan parece estar recuperando certo protagonismo.

A organização está longe dos números que alcançou na década de 1920, mas diz estar recrutando cada vez mais integrantes para a "guerra de raças" que, 150 anos depois da Guerra de Secessão, parece estar em curso nos EUA.

A "ameaça islâmica", para a KKK exposta em ataques como o de San Bernardino, na Califórnia, no qual morreram 14 pessoas, e a chegada de imigrantes não brancos proporcionaram novos inimigos à organização, e, com eles, cada vez mais simpatizantes.

E muitos integrantes se sentem legitimados pelo discurso de políticos como o pré-candidato republicano à Presidência Donald Trump, que já defendeu a expulsão de todos os imigrantes latinos ilegais do país e a proibição da entrada de qualquer muçulmano.

Mas o que é a KKK, e até que ponto se deve levar a sério essa organização e seus membros, que costumam queimar cruzes vestidos com capuzes brancos?

SUPREMACIA BRANCA

BBC
Grupo de simpatizantes da KKK se reúne no Alabama, no sul dos EUA
Grupo de simpatizantes da KKK se reúne no Alabama, no sul dos EUA

Historiadores apontam que a Ku Klux Klan foi fundada no Tennessee pouco depois da guerra civil americana, ou Guerra de Secessão (1861-1865), por um grupo de ex-soldados confederados (da região sul do país, derrotada no conflito). O nome foi inspirado na palavra grega para círculo: kuklos.

Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a atuar de forma violenta para intimidar populações negras do sul dos EUA e garantir a supremacia dos moradores de raça branca.

E, segundo a organização de direitos civis SPLC (South Poverty Law Center), houve elementos que deram mística ao grupo e contribuíram para sua popularidade: "títulos ridículos" (a autoridade máxima da KKK recebe, por exemplo, o nome de "mago imperial"), roupas com capuzes, ações noturnas violentas e a ideia de que o grupo era parte de um "império invisível".

Depois de um curto e violento período, a organização considerada pela Liga Antidifamação como "o primeiro grupo terrorista dos EUA" se desfez como resultado da pressão do governo federal, mas teve seus objetivos garantidos pela manutenção de leis segregacionistas no sul do país.

Na década de 1920, contudo, a crescente imigração católica e judia e a popularidade do filme "O Nascimento de uma Nação", de 1915, em que a KKK aparece como "mocinho" da história, contribuíram para o renascimento do grupo.

Ainda segundo a SPLC, quando a KKK organizou uma enorme marcha em Washington em 1925, o grupo tinha quatro milhões de membros e forte influência na política de Estados do sul dos EUA.

"Uma série de escândalos sexuais, disputas internas por poder e investigações jornalísticas rapidamente reduziram sua influência", afirma a SPLC, fundada em 1971 para combater de forma legal as organizações supremacistas.

DIREITOS CIVIS

A luta por direitos civis na década de 1960 resultaria em um interesse renovado pela filosofia do grupo, como o nome da KKK, roupas, rituais e práticas sendo adotados por diferentes grupos. Logo houve um novo recuo, resultado de mais disputas internas, julgamentos e infiltrações por parte de agências de governo.

"Desde sua criação, a Ku Klux Klan passou por vários ciclos de crescimento e colapso, e em alguns desses ciclos a KKK foi mais radical que em outros", afirma a Liga Antidifamação, conhecida pela sigla em inglês ADL.

"Mas em todas as suas incarnações, ela manteve sua herança dupla de ódio e violência", diz a organização, que estima haver hoje cerca de 40 filiais da KKK nos EUA, com 5.000 membros

A SPLC calcula esse número entre 5.000 e 8.000, "divididos entre dezenas de organizações diferentes - e muitas vezes antagônicas - que usam o nome da Klan."

Segundo a entidade de direitos civis, enquanto algumas dessas expressões da KKK são abertamente racistas, outras "procuram esconder seu racismo sob o manto de 'direitos civis para brancos'".

A lista de inimigos da KKK também se ampliou pouco a pouco, para incluir não apenas negros, judeus e católicos (ainda que estes últimos tenham sido reconsiderados na década de 1970), mas também homossexuais e diferentes grupos de imigrantes, diz a ADL.

GUERRA RACIAL

"Os Estados Unidos nasceram como uma nação cristã e nossos valores cristãos estão sendo atacados", resume um membro da KKK, coberto pelo tradicional capuz branco, no documentário "KKK: A luta pela supremacia branca".

"Somos pessoas normais, viemos de todos os setores: um é professor de escola, outro trabalha em um hospital, há vários políticos", afirma James Moore, o "Kludd Imperial" dos Cavaleiros Brancos Leais.

"Nós, brancos, estamos infelizmente perdendo esta guerra, mas os brancos irão acordar. Uma pequena unidade militar pode derrotar os negros em questão de semanas, e a maior parte de nossa gente vem das Forças Armadas. Vamos retomar os EUA", afirma no documentário da BBC, transmitido pela primeira vez em outubro.

Em uma primeira análise, a ameaça pode parecer uma simples bravata amparada pela primeira emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão e acaba protegendo a KKK e seus membros - desde que não promovam violência.

Mas é fato que essa filosofia não deixa de ter consequências reais.

Para integrantes da KKK como Charles Murphy —"Grande Dragão" da KKK para a Carolina do Sul—, provocar essa "guerra de raças" foi o objetivo declarado do jovem Dylann Roof, que em junho matou nove pessoas em uma igreja frequentada por negros em Charleston.

Roof não tinha relação com a KKK, mas, segundo Murphy, "foi isso [provocar guerra racial] que ele disse que queria".

"Se [os negros] querem uma guerra de raças, que demos uma a eles antes que eu morra. Quero poder ver isso", acrescenta o integrante da KKK no documentário.

LEGITIMIDADE

Por esses e outros motivos, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou após o ataque em Charleston que o país "ainda não se curou do racismo".

E mesmo que nenhum político americano endosse abertamente atos racistas ou a própria KKK, há quem veja com preocupação os rumos da atual pré-campanha presidencial no país.

O ex-líder da KKK David Duke, por exemplo, celebrou publicamente as propostas de Trump, e o descreveu como o melhor entre todos os pré-candidatos republicanos à Casa Branca.

Em entrevista publicada em 23 de dezembro em seu canal no YouTube, Duke - que se afastou da KKK em 1980, depois de uma tentativa frustrada de modernizar a organização - disse que Trump é até mais radical do que ele.

"Muitos grupos da KKK procuram se aproveitar do medo e da incerteza usando sentimentos xenofóbicos para fins de recrutamento e propaganda", alertou recentemente a Liga Antidifamação.

Para o fundador o site supremacista branco Stormfront, Don Black, o discurso incendiário de Trump está alcançando o mesmo objetivo.

Ele disse que seu site registra um aumento de audiência de até 40% toda vez que declarações racistas de Trump são destaque na mídia.

E esse fenômeno também se expressa entre membros da KKK e de outros grupos que promovem a supremacia branca.

"A desmoralização é o pior inimigo (dessas organizações), e Trump está mudando isso", disse Black, segundo o site Politico.

"Ele fez com que seja aceitável falar sobre as preocupações dos americanos de origem europeia", acrescentou.

"E certamente está criando um movimento que continuará independentemente de Trump, inclusive se ele recuar em algum momento", concluiu o supremacista, em declaração que soa como uma advertência.

[REPERCUSSÃO DE ARTIGO] Britain’s first female doctor

Elizabeth Garrett Anderson passed her medical exams on September 28th 1865.

Medical pioneer: Elizabeth Garrett Anderson, c.1888.

Elizabeth Garrett Anderson was described in her time as a woman of indomitable will who did not suffer fools gladly. Her father was a prosperous businessman in Aldeburgh in Suffolk, who believed that girls should have as good an education as boys and she was educated at home with some teenage years at a boarding school for girls.

When Elizabeth decided she wanted to be a doctor, her father was supportive but her mother was horrified. Most doctors and surgeons did not want a woman joining their ranks. Nor did medical colleges and her applications to teaching hospitals and universities were turned down. Sneaking in as a nurse at the Middlesex Hospital in London failed to work and she hit on becoming a licentiate of the Society of Apothecaries, which though less prestigious than an MD, or doctorate of medicine, would entitle her to be a practising physician. The Society shrank back in alarm, but her father threatened to sue it and she passed the exams in 1865. It then revised its rules to keep women out.

In 1866 Elizabeth opened the St Mary’s Dispensary for Women and Children in the Marylebone area of London, a hospital solely for women, staffed solely by women, which drew crowds of poor patients. In 1870 she obtained the University of Paris’s first ever MD degree for a woman and in 1872 her Marylebone dispensary became the New Hospital for Women. In 1871, aged 34, Elizabeth married James George Skelton Anderson, head of a large shipping firm, who supported her belief in independence for married women. The barriers were giving way and in 1874 she helped to found the London School of Medicine for Women, where she taught for years. 

Elizabeth also supported the suffragettes. In 1902 she and her husband retired to Aldeburgh, where she became mayor in 1908, the first woman mayor in Britain. When she died there in 1917 aged 81 her London hospital was renamed after her in her honour.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] La Païva: 19th Century Paris’ celebrity prostitute

It is a common refrain in our Kardashian-besotted times: once our celebrities were famous for their talents, now they are only famous for being famous. A bit of sex appeal and a lack of shame are all it takes, we wail, to win adoring crowds and reams of press coverage. But there has always been more than one way to earn public renown – and in mid-19th Century Paris, the most famous celebrity of the age was renowned not for her brains or her power, but for something much less dignified.

From a nearly penniless sex worker, she rose to massive fortune and major political influence


One hundred and fifty years ago, as France passed from monarchy to republic to empire, the courtesan known as La Païva set out to conquer Parisian society – and pulled it off so grandly that even she was surprised. From a nearly penniless sex worker, she rose to massive fortune and major political influence, with Emperor Napoléon III himself among her many, many admirers.

La Païva, as her contemporaries understood, was more than just a courtesan, but an archetypical figure of the European 19th Century – when tectonic shifts in social organisation saw the old order give way, and a new class of capitalists and empire-builders set about remaking the world. Her waist was large, and her face was described by writers of the time as mannish. Yet La Païva had a virtue greater than beauty, and more enduring too: steely, total ambition.

The only way is up

She was born in Russia in 1819, the child of Polish and German Jews in a land not hospitable to her religion. We know little about her youth: Esther Pauline Lachmann was her given name, though she soon adopted the name Thérèse, the first of many French affectations, and later called herself Blanche. By 17 she was married, to a tailor with tuberculosis. She dutifully bore him a son, but less than a year later she was off to Paris – without her child, without even divorce papers, but with an iron determination to make it to the top of European society.


How she got to Paris we have no idea. But in those days the city had no shortage of courtesans and other sex workers, and it seems La Païva lodged in a maison de passe, a cheap hotel where prostitutes clubbed together and men came and went. Other girls were prettier, but Thérèse was in it to win it. She spent, by her own barely trustworthy account, three whole years preparing a social insurgency, eating little, concentrating her will, and determined that she needed to get somewhere more exclusive, more fashionable, and score a man better than the by-the-hour bourgeois of the red light district.

So in 1841, aged 22, she set out for the Prussian spa town of Ems, with a trunk full of borrowed evening gowns and fake jewelry. She bagged herself a pianist – one Henri Herz, wealthy but not wildly loaded, who set her up with an apartment, jewels, the works. Soon she was back in Paris, hosting a successful salon, and not quite married. The Muscovite tailor was still her lawful husband, and though she now called herself Madame Herz, no one was fooled, least of all the gatekeepers at of King Louis-Philippe’s circle, who turned her away from court.



Thérèse was spending far too much in the mid-1840s. Herz had gone to the US, and his parents conspired to kick her out of their house. Her health was faltering, her jewels were at the pawn shop, and without Herz’s backing she risked falling out of Paris’s artistic milieu and back into the brothel. So in 1847 – advised by, of all people, her dressmaker – she left Paris for London, where she had instant success. On her first day in town, at the Royal Opera House in Covent Garden, she seduced a loaded aristocrat. Soon she’d done even better, ensnaring a Portuguese marquis, Albino Francesco Araújo de Païva.

You go back to Portugal; I shall stay here and remain a whore – La Païva

And, while she was gone, what do you know: revolution! In 1848, the July monarchy was ousted; three years later, the short-lived Second Republic gave way to a new empire, under Napoléon’s nephew. It was a good time for glitz, for reinvention, and for nouveaux riches, who sat atop massive fortunes gained in fresh industries and imperial ventures.

In the expanding Paris of Napoléon III and Baron Haussmann, with its new boulevards and massive construction, new money was no barrier to social standing. Ostentation was in, and so-called respectable people mixed freely with the demimonde. “Under the Second Empire,” wrote the art critic Charles Blanc, “a growing luxury so corrupted manners that an honest woman could no longer be recognised by her style of dress.”


The Second Empire was to be La Païva’s playground. Having got what she wanted from her spendthrift marquis, she dispatched him in a letter that concluded: “You go back to Portugal; I shall stay here and remain a whore.” (Soon enough, back in Lisbon, he duly committed suicide.) Now she was that rarest thing, a courtesan with a title, and with it she won a succession of paramours, ever more powerful and ever richer.

One gent she seduced by offering him her body for the length of time it took to burn ten thousand francs in her fireplace. She called her jewels “my children”; her actual kids were nowhere to be seen. She had become a legend, and raised her prices accordingly – settling at last for no one less than Guido, Count Henckel von Donnersmarck, a much younger Prussian and one of the richest men in Europe. He gave her everything, and underwrote the construction of her very own hôtel particulier with a very prominent address: 25, avenue des Champs-Élysées.

She had hustled all the way to the most glamorous street in Europe, and no one was going to forget it


Oof, this pile. Jean-Paul Sartre, in his play No Exit, imagined Hell as a Second Empire salon, and it might have looked something like La Païva’s receiving room – a massive gilded chamber whose ceiling mural depicted her as a goddess chasing the night away. The staircase was made of solid yellow onyx, and so was the bathtub, weighing in at half a ton and equipped with jewel-encrusted taps. (It’s still there, and you can visit if you know someone who’s a member of the Travellers Club.) The Goncourt brothers, in their Journal, called her house a Louvre de cul – a palace of… well, perhaps we ought not to translate that expression for a family website. Alexandre Dumas was even more scathing: “It’s almost finished. All it needs is a sidewalk.”


They could go hang, so far as La Païva was concerned. The men all came – the emperor, the industrial barons, and also writers such as Gustave Flaubert and Émile Zola – from whom she demanded, as the bare minimum recognition of her hospitality, magnums of rosé champagne. (She bathed in the stuff too, and milk as well at times.) The mansion was much more than a home for a woman who liked to live large. It was a public marker of what La Païva had accomplished – she had hustled all the way from the Moscow ghetto to the most glamorous street in Europe, and no one was going to forget it.

Decline and fall

We have no proper portrait of her: a couple of iffy paintings, a photograph in profile. What did she really look like? Contemporary observers contradict one another – even then, she was more a myth than a woman. She was busty, even when young. Pale white skin, which she blanched further with rice powder. Probably a curvaceous figure; no willowy girl. As for her face, numerous writers classed her as what the French call belle-laide, or “ugly-beautiful.” Her eyes were described as too large, and her nose came in for particular criticism: shaped like a pear, they say. (Her Judaism played a part in this reception, without a doubt. One observer acidly wrote that “this wandering and victorious Jew” had nothing in common with “the pretty free spirits of the Second Empire.”)

Her widower had her corpse embalmed in alcohol and stored her body in the attic

But by 1871, when the country was routed in the Franco-Prussian War, the mood towards La Païva has soured. She was accused of being a German spy. At the opera, so the story goes, the audience hissed when she entered. Her Prussian spouse did not help matters, but it was more than Germanophobia that did her in. The Second Empire’s loose morals and mixing of classes became suspect in the years after the defeat. Courtesans, in a weird way, became scapegoats for national weakness – and La Païva, not only a courtesan but a Jew to boot, was scapegoat number one.

It was time to go. La Païva and her last, richest husband lived out the rest of her days in a giant mansion in Silesia, in what today is Poland. After she died in 1884 her widower, heartbroken, did not bury her. Instead he had her corpse embalmed in alcohol, cried over the dead courtesan for months, and then stored her body in the attic – without telling his subsequent, shocked wife. In 1901, Kaiser Wilhelm granted Henckel von Donnersmarck the title of Fürst – the highest rank in the German nobility below the Kaiser himself. You have to wonder if he went upstairs to tell his preserved spouse the news: La Païva, at least in death, had become a princess.

Fonte: BBC Culture