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[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] How The Danish Girl captured the zeitgeist

Danish Girl
Eddie Redmayne first worked with director, Tom Hooper, aged 22 in Elizabeth I

Few movies capture the popular zeitgeist quite like King's Speech director Tom Hooper's The Danish Girl. It tells the story of the 1930s Danish artist Einar Wegener, played by Eddie Redmayne, who became one of the first people to undergo sex reassignment surgery, having decided to live life as a woman called Lili Elbe. The film also features Wegener's wife Gerda, played by Alicia Vikander.

The Danish Girl comes in a year that has put transgender issues firmly into the spotlight. From the transition of Bruce to Caitlyn Jenner, to the Emmy-winning success of Amazon's series Transparent, even the White House chose to screen The Danish Girl as part of a celebration of LGBT artists.

Ironic, then, that Hooper has said the script was passed around for about 12 years struggling to secure backing because of what was seen as the story's limited appeal.

"I hope it provides a message of hope," says the Oscar-winning Hooper, who has previously worked with Redmayne on Elizabeth I and Les Miserables.

"It's a message that transgender history matters. These were two extraordinary pioneers of the transgender movement who I think history had marginalised."

Facing criticism

Before locking the final cut of the film, he decided to screen the movie to one of Les Miserables' musical directors, who was in the process of transitioning while making the film.

"The lights came up and she had tears on her face, and she said the amazing words, 'How did you know?' She said it was in many respects very true to her own experience and that was for me the most exciting."

Tom Hooper, Alicia Vikander and Eddie Redmayne

Tom Hooper (left), Alicia Vikander and Eddie Redmayne have been attending photo calls and red carpet events for the film from Toronto to Copenhagen


Despite this sensitivity to the subject matter, Hooper has faced criticism for not choosing to cast a transgender woman in the title role. He defended the decision,telling Variety that access to trans actors is limited, and that he had always had Redmayne in mind.

"There was something in Eddie that was drawn to the feminine," he says. "He played the girls' parts in school plays. I was a bit like Gerda in the film because Gerda becomes fascinated by the femininity in her husband and starts to paint it. I was fascinated by the femininity in Eddie and wanted to explore it."

The film is as much about Gerda, and her demonstration of unconditional love and acceptance through an experience which is as much a transition for her as for her husband.

"I looked up to her," says Vikander.

"I questioned, would I be able to do what she did. It was an extraordinary experience trying to find that strength because she's never passive. Lili needs to be who she is but Gerda makes the decision to stand by her side. I'm a romantic at heart."

In fact, it is Gerda who suggests her husband dresses as a woman. She asks Wegener to first pose for a painting, but more significantly then suggests he attends a ball dressed as Lili, and she goes on to paint portraits of her husband as a woman.

"You helped bring Lili to life but she was always there," Lili later tells Gerda.

So did Gerda always know that her husband wanted to be a woman?

"She was able to see the inner self of the person she loved… When you know somebody really well, it's not a big surprise when something comes up to the surface," says Vikander.

Award nominations

Vikander's scene-stealing performance, which has been nominated for a Golden Globe and a Screen Actors Guild award, gives the film "tremendous heart", says Hooper.

"It's phenomenal. In her hands Gerda never feels like a victim, which I think is really interesting."

Danish Girl
Alicia Vikander (left) has picked up two Golden Globe nominations this year

It has been an extraordinary year for the Swede who came to the public's attention with roles in The Man from U.N.C.L.E., Testament of Youth, Burnt and Ex Machina, for which she has been nominated for another Golden Globe.

Her star is set to rise further when she acts alongside Matt Damon in the fifth Jason Bourne movie.

Redmayne is attracting an equal amount of attention, following his Screen Actors Guild and Golden Globe best actor nominations for his role.

The 33-year-old won the best actor award at this year's Oscars for his portrayal of Stephen Hawking in The Theory of Everything, another transformative role.

With the screenplay originating from 2004, The Danish Girl has been 11 years in the making, its subject matter proving it a difficult film for Hollywood's financiers to get behind.

But the critical recognition being given to Hooper, Vikander and Redmayne shows they are together a winning combination - and suggesting The Danish Girl was worth the wait.

The Danish Girl is due for release in UK cinemas on 1 January.

Fonte: BBC

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] Há 120 anos, as imagens aprendiam a andar

Num salão de bilhar remanejado de Paris, em 28 de dezembro de 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière inauguravam a história do filme com seu Cinématographe: num curta de poucos segundos, operários saem de uma fábrica.

Auguste e Louis Lumière, por volta de 1900


O nascimento das "fotografias vivas", 120 anos atrás, está documentado com bastante precisão. O local foi um salão do Boulevard des Capucines, em Paris. No entanto, não existe nenhuma foto desse emocionante momento histórico. Os irmãos Auguste e Louis Lumiére estavam, ambos, ocupados demais com a novíssima técnica de seu Cinématographe, que apresentavam pela primeira vez a um público pagante na noite de 28 de dezembro de 1895.

Para desapontamento dos organizadores, não mais de 33 curiosos compareceram à exibição. Afinal de contas, tratava-se de uma sensação mundial, como anunciavam os cartazes espalhados pela capital francesa. Ainda assim, a noitada no salão de bilhar remanejado foi um grande sucesso: pela primeira vez os espectadores vivenciavam imagens animadas, num curta-metragem em preto e branco intitulado Operários deixam a Fábrica Lumière.

Rodado diante das instalações de propriedade dos irmãos, em poucos segundos ele mostra os portões da fábrica em Lyon, os operários e operárias saindo no fim do expediente e um cão vira-lata que salta em meio à multidão: são os primeiros atores de cinema da história.
Cores pioneiras: a Torre Eifel em 1911

Inventores prolíficos

Os Lumière dirigiam na cidade de Lyon sua fábrica de placas fotográficas, com mais de 300 funcionários. Conhecidos como inventores e criativos artesãos para além das fronteiras da França, eles também foram os pioneiros da fotografia a cores: em 1903 registraram a patente de um processo revolucionário, a chapa de autocromo.

Com seu cinematógrafo, Auguste e Louis – cujo sobrenome significa "luz" em francês – desenvolveram uma técnica fílmica totalmente inédita, em que fotos isoladas eram reproduzidas por meio de um projetor. Essas imagens eram percebidas como tão realistas, que as primeiras projeções dos curtas-metragens causaram pânico entre a plateia: durante o filme em que um trem entrava na estação, parte dos espectadores procurou proteção atrás dos assentos, aos gritos.
Trem entrando em estação no dilme dos Lumière provocou pânico entre o público

No entanto ambos se interessavam menos pelos motivos fotográficos do que pelos aspectos tecnológicos, e não seguiram desenvolvendo as próprias invenções. No fim da década de 1890, venderam seus aparelhos e patentes à firma Pathé Fréres, que entraria para história como fundadora da indústria cinematográfica.

Os irmãos Lumière não foram os primeiros a projetar filmes sobre uma tela e apresentá-los a um público pagante. De forma totalmente independente, também se desenvolveram outros projetores cinematográficos nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Porém é na França que se soa a hora do nascimento do cinema, naquela noite de 1895 em que as imagens aprenderam a andar.

[REPERCUSSÃO DE NOTÍCIA] 'Doutor Jivago' completa 50 anos como um dos principais romances do cinema




Esta terça-feira (22) marca os 50 anos do lançamento de um dos romances mais emblemáticos do cinema,"Doutor Jivago", estrelado por Omar Sharif e Julie Christie.

Narrada em flashbacks, a trama épica adaptada do best-seller homônimo do russo Boris Pasternak ocorre nos anos anteriores e posteriores a Revolução Russa. Um triângulo amoroso envolvendo o médico e poeta Yuri (Sharif), sua mulher Tonya (Geraldine Chaplin) e Lara (Julie), enfermeira que se torna a grande paixão de Yuri, passa por décadas.

Dirigido por David Lean, o filme estreou em 22 de dezembro nos Estados Unidos, em tempo de ser elegível para as indicações ao Oscar, mas teve recepção morna da crítica, que o tachou de excessivamente romântico e de não ser o melhor épico do diretor, o mesmo dos premiados "Lawrence da Arábia" (1962) e "A Ponte do Rio Kwai" (1957).

Porém, quando as indicações foram anunciadas, "Doutor Jivago" foi nomeado em dez quesitos e terminou com cinco estatuetas: melhor roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino e trilha sonora para Maurice Jarre. Perdeu o prêmio de melhor filme para "A Noviça Rebelde".

Fonte: Folha de São Paulo (22.12.15)

REPORTAGEM: Filme de Hollywood sobre Hemingway é 1º rodado em Cuba em 60 anos


O diretor Bob Yari está orgulhoso por ter filmado "Papa" em cenários reais e quase intactos onde viveu Ernest Hemingway em Cuba, transformando assim o filme no primeiro de Hollywood rodado na ilha nos últimos 60 anos. 

"Foi difícil, mas estamos muito satisfeitos por termos conseguido filmar em Cuba e trabalhar com os cubanos", disse.

Outros filmes famosos cuja trama se desenrola no país, como "O Poderoso Chefão 2" (1974) e "Havana" (1990), tiveram de ser filmados na República Dominicana.

Yari, nascido no Irã e produtor de longas como "Crash: No Limite" (2004) e "O Ilusionista" (2006), apresentou "Papa" no sábado (5), dentro da programação do 37º Festival de Cinema Latino-Americano em Havana.

A produção, rodada na ilha entre abril e maio de 2014, retrata três anos da vida do escritor norte-americano, um período marcado por uma grave depressão, de acordo com seus alunos, que o levou ao suicídio alguns anos mais tarde.

O escritor Ernest Hemingway na Ponte dos Suspiros, em Veneza, na Itália, em foto de 1950 

Yari contou que teve que lidar com as restrições impostas pelo embargo de 1962 dos Estados Unidos ao país para obter uma licença que permitisse à equipe viajar e trabalhar nos cenários onde Hemingway viveu, como sua casa Finca Watcher, em San Francisco de Paula, o bar Floridita, o hotel Ambos Mundos, entre outros.

O ator Adrian Sparks ("Uma Noite de Crime", "Sobrenatural: A Origem") vive Hemingway no filme, que tem ainda no elenco Joely Richardson e Mariel Hemingway, neta do escritor.

Hemingway passou 22 anos de sua vida em Cuba, depois de uma primeira visita em 1928. Na ilha, escreveu "Por Quem os Sinos Dobram" e "Paris É uma Festa".

A produção terá outras duas exibições em Havana durante os dias do Festival. Não há previsão de estreia.

Fonte: Folha de São Paulo (07.12.2015)

REPORTAGEM: Born 125 years ago: Celebrating the films of Fritz Lang

"Metropolis" was his most famous work. One of the most influential filmmakers in the history of cinema, Fritz Lang was born 125 years ago on December 5 - an opportunity to rediscover his masterpieces.

Fritz Lang Regisseur
Perspectives in Germany, especially after their careful restoration. Few other films have been as often discussed in books and theoretical studies as "Metropolis." And there are many other good reasons to study and celebrate Fritz Lang's work.
Lang is among Germany's most successful cultural exports - if one can consider a filmmaker born in Austria, who worked for a long period in the US, a German. Officially, he was the citizen of three countries: Austria, Germany and the US.
His first success came in 1921 with "Destiny," after which he would further direct several monumental films. They made him world famous: "Die Nibelungen," "Metropolis," the "Dr. Mabuse" series, as well as his most influential masterpiece, "M."
Career in Germany and the US
When Hitler came to power in 1933, Joseph Goebbels tried to enlist the filmmaker to produce propaganda for the Nazis. Although Fritz Lang had always claimed he had fled the country right after meeting with the minister of propaganda, he actually spent a few extra months working in Germany before leaving for Paris. This little-known fact was revealed in a recent biography by Norbert Grob.
Film Metropolis, Copyright: MACDOUGALL/AFP/Getty Images
A restored version of "Metropolis" was shown at Brandenburg Gate during the Berlinale
After his stay in France, the filmmaker moved on to Hollywood, where he pursued a successful career as director, without ever quite fitting in the rigid Hollywood studio structure.
He probably did not have the right personality for a system where producers and studio executives were more powerful than film directors, writes biographer Norbert Grob.

Fritz Lang worked best independently

Grob's detailed examination of Fritz Lang's life uncovers another event which sheds a different light on his films. His first wife died of a shot in the chest at home under unclear circumstances - right after discovering Fritz Lang in a room with his mistress and later second wife, Thea von Harbou. Lang was suspected of murder - and acquitted later on, but the whole experience traumatized him.
After that, Fritz Lang began to write down everything he did. He was probably trying to regain control of his life. His subsequent movies often dealt with stories of people being wrongfully accused.
He returned to Germany after the war and directed three more films, but they were not as artistically inspired as his earlier work. Nevertheless, 125 years after his birth, he is still remembered as a visionary filmmaker who has left the world many breathtaking masterpieces.


Fonte: Deutsche Welle (04.12.2015)

REPORTAGEM: Filme de Walt Disney perdido há oito décadas é descoberto

Curta dado como perdido em 1928 é localizado em arquivos da cinemateca britânica e será restaurado. Personagem principal é semelhante ao Mickey Mouse.

Walt Disney em 1951 com um boneco de "Alice no País das Maravilhas"

NOTÍCIA: Revenge, Psyche, The Final Girl: How Wes Craven Redefined The Slasher Genre

Fonte: Think Progress
Autor: Jéssica Goldstein
Data: 01.09.2015


CREDIT: AP Photo/Matt SaylesCREDIT: AP Photo/Matt Sayles
Legendary horror filmmaker Wes Craven died on Sunday at the age of 76. Craven was responsible for some of the most indelible images and ideas in the slasher canon. He created Freddy Krueger, sparked the sprawling Scream franchise — he was executive producing MTV’s new series based on the films, nearly 20 years after Craven’s original film debuted — and, in a career that spanned decades, provided moviegoers with enough nightmare fodder to last several lifetimes.
“He’s gone to that big last house on the left in the sky,” said Adam Lowenstein, director of the film studies program and associate professor of English and film studies at the University of Pittsburgh; he teaches classes on horror film and is the author of a number of books on cinema, including Shocking Representation: Historical Trauma, National Cinema, and the Modern Horror Film. Lowenstein shared his thoughts by phone on why horror is a vital genre, how Craven’s work was thoughtful and brutal in equal measure, and why knew the scariest things are the things closest to home.

For the uninitiated/scaredy-cats among us, why is Wes Craven’s work so important?
Just point to his three most influential films, and see how each of them is a watershed in the history of the modern horror film. And the modern horror film itself is a genre that people take more seriously because of directors like Wes Craven. Wes Craven was able to combine a real brutality with a real thoughtfulness that has really shaped what the modern horror film can be. So the three films I’m talking about are, his very first film, from 1972, Last House on the Left, and secondly, A Nightmare on Elm Street in 1984, and Scream, in 1996. These are the undisputed blockbusters of Wes’ career, and they all deserve the reputation that they have.

Before Craven made Last House, what was the horror movie landscape like? What was the context in which he was starting to make these movies?
Wes Craven was part of a generation of American horror film directors that really popularized the modern horror film as we know it: George Romero, John Carpenter, Tobe Hooper. What I think Wes Craven really brought out, even within that pantheon of extraordinary directors, was this ability to combine the brutal and the thoughtful. So Last House, on the one hand, it’s a very cerebral, high-minded remake of an Ingmar Bergman film, The Virgin Spring. On the other hand, it is a completely, uncompromisingly horrific, nightmarish take on the worst case scenarios of the Vietnam era. And some of the stories that Wes would often tell is how he would run into people he knew and liked and trusted, and after they saw Last House, they didn’t want to have anything to do with him. And Wes was a very mild-mannered person — he was an English teacher before he was a film director, and he grew up in a very conservative, religious environment — and he was a gentle soul. But the films are not gentle. And I think that gives you a sense of what he was trying to accomplish. He was trying to get at us both through our hearts, our minds, and our guts.

Can you talk a bit more about Last House as addressing Vietnam?
Coming out in 1972, Last House was a product of the anguish of the Vietnam era. And it’s basically a revenge story. Two young girls go from the Connecticut suburbs into New York City, try to get pot at a rock concert, and wind up in the hands of the Mansons. They are brutally raped, tortured, and murdered. But then the Mason-esque group falls into the hands of one of the girls’ parents, and what the parents do to them once they find out what was done to their daughter makes the initial round of cruelty seem almost tame by comparison. And you emerge with: There is no difference between the civilized and the uncivilized. It’s a matter of a society completely broken down, untrustworthy and terrifying. And you can’t look to the young to be trusted over the old, or the middle class to be trusted over the working class. It leaves you with a very upsetting sense of the place America has gotten to at this juncture. It’s a terrifying film, still today. I do teach it periodically, and it’s one of the films that students still have a difficult time with.

Do you ever think, watching these films, that they are so violent and gory, they get in the way of this deeper idea they’re trying to get across?
It really feels like a film carefully and thoughtfully designed to shock us in ways that are maybe not pleasant, but that’s the point. It’s about unpleasant things, and it’s about confronting us with that unpleasantness, and asking us to think about it. And it’s true, though, I think the sense that Craven himself learned a lesson from Last House: He never made a movie again that was that confrontational. He made films that were, I think, equally smart and important, but never that confrontational. And I think his seeking of a broader audience made that imperative, because Last House, still, is not for everyone. Don’t recommend it to people if you haven’t seen it yourself.

So he had that in mind when he made Nightmare on Elm Street?
The important thing to remember, in terms of the landscape in which it emerged, by the time 1984 rolled around, the market was already glutted with imitations of Halloween and Friday the 13th, movies we refer to as slasher movies. Lots of the imitators of those films are not very imaginative; they’re really paint-by-numbers. And what Craven brought to the slasher subgenre was a really fresh sense of imagination and feeling. The whole trope of a killer that invades your dreams, rather than a killer that’s wielding a hatchet or a knife in the real world, is a brilliant innovation. It really opened up the subgenre to more interesting territory. I think it saved the slasher film in many ways from complete exhaustion at some point.
The other thing Nightmare does so well is, its feel for family dynamics is really superior. A lot of those slasher films, there’s really no room for parents at all. The whole trick of the films is teens alone in danger, and what happens then. But Craven really pumps energy into the dynamics between parents and children, and wider than that, between families and their communities. And that dimension of the slasher film was really in sore need of development, as well, and Craven really brought that out. And in terms of Nightmare‘s importance, a figure that we’ve come to know in the slasher formula is the idea of the final girl, the girl who survives, the girl who vanquishes the killer on her own. Nancy, in Nightmare, is outstanding. She is so gritty and resourceful and smart and fearless, without being a superhero. She’s recognizable as a person and as a teenager, but her resourcefulness and her grit is just thrilling to see, even today.

Scream is an interesting case, in that I think it’s how people who only see mainstream movies — people who do not like horror flicks — have an understanding of what horror movies are. That’s the reference point.
And I often bemoan the existence of Scream in certain ways, because of precisely that quality. People who don’t know much about horror films can go to it and feel almost superior to the genre, and comfortable with it. But the memory I always put alongside of that is, horror films are a central part of my work, so I see a lot of them, and I have friends who don’t like horror films at all, and Scream was one I could convince people to come with me to when it premiered, because I could say it would be fun but not scary. And the first 20 minutes of Scream is really scary. It’s intense. I remember my friends looking over at me across the aisle and saying, “You lied to us.” I think that’s a good summation of Wes Craven, in a certain way. Even within the framework of an entertaining horror film that is not very confrontational, that is interested in winking at its audience, there’s still moments that grab you buy the throat.

Do these tropes from horror movies that people know so well stem from Scream, or did Scream just popularize them? It’s such a self-aware movie, and you see these characters talking about other horror movies, like they know they’re in one.
Slasher films may not be imaginative overall, but they are very tuned in to the formula. Slasher films didn’t need to parodied, because they were doing it themselves already. You watch Halloween, after having watched Psycho, you already see the films very much aware of their predecessors and very interested in nodding their hat to their predecessors. So Scream didn’t invent that. But Scream brought it to the awareness of an audience that wasn’t necessarily genre-savvy, and made it fun for them as well. Which is an important feat. It’s good for horror to be able to reach people that don’t necessarily want to deal with it, because that can open the door to different sorts of engagement with the genre.
Horror has always been a very self-aware and self-conscious genre. And what Scream did is, it sort of heightened that experience of awareness for a wider audience. But it did it in a way that remained true to, I think, the way the genre had been working along before Scream. It was basically putting it in highlight and bold.

It seems like one of the recurring themes in Craven’s work is that the scariest things — the villains, the monsters — are actually pretty normal. They’re sort of, not mundane, but they’re not out-of-this-world, supernatural killers. They’re primal, everyday ideas.
Yes, absolutely. One of his favorite things to say is that the horror film is a boot camp for the psyche. Horror, for Wes Craven, was always about the immediate, the primal, the here-and-now. It was not about fantastic things. For him, the scariest things are the things that are closest to us, the things that we know the best, that we think we know and trust.

Why is horror an important genre? What can horror films do that other movies can’t?
I think horror has the potential to show us ourselves in a light that we need to see ourselves in, that we’re also not comfortable enough to try to do. I think horror is more honest about who we are as people, as families, as a culture, as a society, than most other types of films are. And they can get away with it, because a lot of people think horror films aren’t up to anything serious. But under that cover, they are deadly serious. And we ignore the horror film at our peril, because I think if you want an accurate account of who we are and where we are at, you need to go to the horror film as a place to gauge that. That thing becomes particularly crystal-clear during moments of what I call historical trauma. Something like the Vietnam era: A movie like Last House is telling the hard and painful truth about that era that a lot of the contemporary films of that time were not yet ready to talk about. The horror film could do it, because the horror film already has a vocabulary for the shocking, the horrific, the awful. So this is a genre that can engage with these things rather than hope they don’t exist or that they’ll go away.

Where do you see Craven’s influence in modern horror?
One of the themes that Wes Craven pioneered and developed and perfected is the revenge theme, and we can see it most clearly in Last House and The Hills Have Eyes. That’s still a formula that’s very crucial and powerful for the genre. Someone like Eli Roth’s movies and the Hostel films in particular really tapped into that dynamic, that the blood that is spilled in vengeance winds up tainting the avenger at least as much as the crime that was originally committed. And in America, a country where the whole idea of American exceptionalism and entitlement and might-is-right, that lesson about revenge is something we need to be taught over and over again. We never seem to quite learn it.
It Follows has got something to do with something Craven was already interested in in Scream, which is: Where does horror come from and manifest itself in a culture that is so over-saturated with media exposure? Where everything seems like it could be broadcast, televised, tweeted? Where there’s really no such thing as an original experience? I think It Follows is tuned into that. And I think Scream was, too. Looking back, 1996 was a primitive media era compared to now.
When Craven made Last House, he wasn’t clear in an explicit way, “Oh yeah, I’m talking about Vietnam. I’m talking about the present.” It was there in the work but it took a long time for people to really see it, even the directors themselves. I think that’s true now, too. I think with certain exceptions, it’s going to take time to get a sense of, well, what was this historical moment all about anyway? And what were the films that were tapping into it consciously or unconsciously? But I think even early, there’s evidence that the horror film is still doing that job. The movie I would point to semi-recently is Hostel, in the context of the war on terror, the post-9/11 war era. And what Hostel does with the idea of Americans abroad as something to be scared of is a very important and effective intervention into a post-9/11 America.

NOTÍCIA: Que previsões "De volta para o futuro" acertou?

Fonte: Deutsche Welle
Autor: -
Data: 20.10.2015  

 Há quase 30 anos, roteiristas já imaginavam interfaces multimídia, controles de voz e comunicação por vídeo. Robôs que passeiam com os cães e skates flutuantes sem rodas, porém, ainda não são realidade.

Martin McFly com o famoso Hoverboard: uma das previsões que os roteiristas não acertaram
Em Seattle, nos Estados Unidos, um museu preserva, protegidos por vidros, itens extremamente raros: três Hoverboards. O skate sem rodas era uma das estrelas do filme "De volta para o futuro 2". Foi nele que Marty McFly (Michael J. Fox) circulou durante parte do tempo em que passou no que era futuro então: 21 de outubro de 2015.

Trinta anos depois, no futuro, a franquia é homenageada em todo o mundo com festas e maratonas de exibição. Mas, será que o filme conseguiu acertar alguma previsão?
Antes de mais nada, Hoverboards não estão à venda no mercado. Na internet, é possível encontrar alguns vídeos do skate flutuante sem rodas, mas são falsificações ou modelos que funcionam apenas em solos muito específicos, como o protótipo de levitação magnética da fabricante de automóveis Lexus.

Não temos também robôs que levam os cães para passear, nem casacos que se ajustam ao tamanho da pessoa e secam instantaneamente. Leitores de impressão digital no lugar de maçanetas até já existem, mas não são tão comuns.
A Pepsi Perfeita: edição limitada de 6.500 garrafas marca 30 anos do lançamento do filme
A máquina que transforma, em poucos segundos, uma minipizza numa grande pizza quentinha, seria algo típico americano, mas tampouco foi inventado. O mesmo vale para os carros voadores, em que nem os próprios criadores do filme acreditavam.
"Mas, em um filme sobre o futuro, precisávamos de carros voadores", disse há cinco anos Bob Gale, um dos roteiristas do filme.

Então, todas as previsões falharam? Não exatamente. Em muitos aspectos, os cineastas foram videntes surpreendentes. No futuro, telas planas estariam espalhadas por todos os lugares — isso não era previsível em meados dos anos 1980. As pessoas se comunicariam por vídeo, assim como é possível fazer hoje — mas não há sinais no filme de celulares ou internet.
Segundo o filme, avisos chegariam por fax em 2015. Fax! Há, porém, um computador da Apple em uma loja de antiguidades — já é possível encontrá-los nesses estabelecimentos, não a preços muito baixos.

O filme acertou também ao apontar os asiáticos como peças-chave da economia, e um cartaz até anunciava "férias de surfe" no Vietnã. Dez anos após o fim da Guerra do Vietnã, o que era um absurdo para um americano nos anos 1980, agora pode ser absolutamente normal.

Martin McFly e Doc Brown: em muitos aspectos, os cineastas foram videntes surpreendentes
Má notícia: a chuva não para em um segundo. A boa notícia é que a inflação americana não está tão alta para ser preciso comprar uma Pepsi com uma nota de 50 dólares — embora a edição limitada de 6.500 garrafas da "Pepsi Perfeita", feita especialmente para o filme, possa valer um bom dinheiro como item de colecionador.
 
Controle de voz no dia a dia e interfaces multimídia, tudo já estava no filme. Ele apresenta até um óculos no estilo do Google Glass, e quando os dados pessoais de quem faz uma ligação são exibidos no visor, parece quase um Facebook — 15 anos antes do Facebook.

Quando se trata de energia, ainda não estamos naquele futuro. Porque quando o Doc Brown (Christopher Lloyd) precisa de eletricidade, basta ele jogar alguns resíduos de cozinha no reator "Mr. Fusão". Ele não só fornece energia para a máquina do tempo, o "compensador de fluxo", como é praticamente "made in Germany": a base para o dispositivo era um moedor de café Krups.

NOTÍCIA: Filme resgata história de atentado frustrado contra Hitler

Fonte: Deutsche Welle - http://www.dw.com/pt/filme-resgata-história-de-atentado-frustrado-contra-hitler/a-18372187
Autor: Joachim Kürten
Data: 09.04.2015


Coragem do carpinteiro Georg Elser, que por questão de minutos não matou o ditador nazista, poderia ter mudado a história. Há tempos esquecido, caso é levado ao cinema por Oliver Hirschbiegel, mesmo diretor de "A Queda".
 
O artesão e inventor Georg Elser, interpretado por Christian Friedel
Filmes sobre eventos históricos ocultos contam na melhor das hipóteses duas histórias: a do evento real e – num segundo plano – algo sobre a atualidade. O longa Elser, do diretor Oliver Hirschbiegel, que estreou no Festival de Berlim e agora está sendo lançado nos cinemas, é um dele. Ele lembra um atentado fracassado contra Adolf Hitler, realizado em Munique, em novembro de 1939. Ao mesmo tempo, Elser parece apelar ao público que mostre coragem e tome posições.
"Nos dias de hoje, há o risco de a linha entre combatentes pela liberdade e terroristas ficar cada vez mais tênue", diz Fred Breinersdorfer, que escreveu juntamente com a filha, Léonie-Claire, o roteiro para o filme. Ele enxerga uma conexão entre os eventos históricos retratados em Elser e o mundo atual. "Os acontecimentos na Ucrânia ou nos países árabes nos mostram de maneira drástica que precisamos, a todo custo, de uma bússola de valores que nos permita a diferenciação."
Um corajoso individualista
Georg Elser, um fervoroso individualista da região da Suábia, não queria assistir imóvel à insanidade da Alemanha nazista tomar seu curso no final da década de 30. Como partidos políticos e movimentos de resistência eram algo distante, ele amadureceu a ideia de agir sozinho.
O talentoso carpinteiro construiu uma bomba, que ele, após longas noites de trabalho, posicionou sob o palanque de discursos do Bürgerkräukeller, uma grande cervejaria de Munique. Lá, em oito de novembro de 1939, Adolf Hitler deveria fazer um discurso para o povo alemão.
A bomba explodiu, de fato, mas Hitler havia deixado o salão 13 minutos antes da detonação. Oito pessoas foram mortas, mas o ditador escapou. O atentado político, que provavelmente teria mudado o curso do mundo, falhou.
Logo depois, Elser foi preso, torturado e interrogado. Em 9 de abril de 1945, pouco antes do fim da guerra, ele foi executado pelos nazistas. Embora na época tivesse ficado rapidamente claro que era ele o responsável, os líderes do regime relutaram em admitir que se tratava de um atentado de um único autor.

Georg Elser se manteve firme durante os interrogatórios nazistas
 
Resistência de um homem só

O filme de Oliver Hirschbiegel mostra os brutais interrogatórios, expõe o quão firme Georg Elser se mantém, como ele sustenta a verdade sob severa tortura. Uma verdade que os nazistas certamente não queriam aceitar: que um agressor solitário quase conseguiu matar Hitler.
Entre essas cenas, o filme repetidamente volta à terra natal de Elser, narra a infiltração lenta das ideias nacional-socialistas na Suábia, a euforia com a loucura nazista. Os poucos que protestam abertamente são deportados para campos de trabalho.
O que Hirschbiegel – que alcançou com A Queda – As últimas horas de Hitler sucesso mundial e uma indicação ao Oscar – vê de tão fascinante nessa história? "Sua clarividência", responde o diretor. "Elser não era uma pessoa organizada politicamente, mas era simplesmente uma mente livre, que acreditava na individualidade e na autodeterminação."
Já existem duas versões para o cinema do caso Elser: uma adaptação para a televisão alemã, na década de 60, e uma que conta com a direção e participação do austríaco Klaus-Maria Brandauer, de 1989.
A obra também mostra como o nacional-socialismo se estabeleceu nas províncias alemãs
No primeiro filme ainda prevalecia na Alemanha a concepção de que Elser era um simplório dissidente, diz Hirschbiegel. E, posteriormente, Brandauer rodou um clássico suspense à la Hollywood. "Já eu quis gerar uma tensão sobre a psicologia, sobre a situação na qual uma nação inteira caiu", explica.
Logo no início da trama, o público assiste à tentativa fracassada do atentado e à prisão de Elser. O que segue então – em flashbacks – são respostas para questões sobre como as coisas puderam chegar tão longe na Alemanha. E, nas cenas de interrogatório, o foco em cima dos nazistas, que aparentam puro desespero porque um ataque solitário quase derrubou o topo do comando do regime.
Por muito tempo houve diversas teorias da conspiração na Alemanha, lembra Hirschbiegel. "Afirmou-se que Elser seria um fantoche dos serviços de inteligência inimigos e, desta forma, um traidor de seu próprio povo. Ou que ele teria sido encarregado pelos nazistas de perpetrar o ataque, para que eles pudessem celebrar Hitler como mártir", afirma.
Hirschbiegel e os roteiristas querem mostrar com o filme como as coisas realmente aconteceram na época – mantendo distância de todas as formas de construções convencionais de tensão no cinema. Elser não é um documentário ou um ensaio cinematográfico, mas uma peça sólida e tecnicamente bem feita sobre um episódio notável da resistência alemã.



"Elser" não deixa de mostrar um toque humano e mostra um homem que teve alegria na vida, que gostava de dançar
Paralelos com a atualidade
E o que Elser tem a ver com Edward Snowden? O que um filme sobre um solitário assassino de Hitler tem a ver com a nossa realidade? Segundo Hirschbiegel, a resposta está no termo "coragem cívica". "É quando chega ao ponto no qual dizemos: 'Disso eu não participo mais, isso minha consciência não pode mais aceitar?'".
Obviamente Hirschbiegel não quer comparar a Alemanha nazista com os Estados Unidos. No entanto, durante a preparação para a produção do filme, ele conta que pensou imediatamente em Edward Snowden.
"Ele teve que desviar por anos o olhar daquilo que estava acontecendo num suposto país democrático. Ele não teve paz, até que abandonou tudo e passou as suas informações à opinião pública, apesar de saber que a vida que vivia até então estaria acabada. No que se refere a este ímpeto interior, o altamente inteligente e sofisticado Snowden se assemelha em muito a Elser", conclui Hirschbiegel.

NOTÍCIA: Alemão e hollywoodiano

Fonte: História Viva - http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/lang_alemao_e_hollywoodiano.html

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Mostra em Brasília exibe versões em película de clássicos de Fritz Lang


Fritz Lang (1890-1976) não foi apenas um dos mais importantes nomes do expressionismo alemão no cinema; também trabalhou em Hollywood, tendo exercido influência duradoura sobre diretores americanos e europeus. Sua filmografia vai da ficção científica ao faroeste, passando por filmes policiais e dramas.

Ativo como diretor, roteirista e ator entre 1917 e 1963, sua obra será revista na retrospectiva O horror está no horizonte, promovida em agosto pelo Centro Cultural Banco do Brasil Brasília. Todos os filmes dirigidos por Lang, em versões restauradas em película, serão exibidos, incluindo os clássicos do período alemão Metropolis (1927) e M, o vampiro de Dusseldorf (1931) e produções hollywoodianas como Fúria (1936) e Os corruptos (1953).


Serviço:

FRITZ LANG – O HORROR ESTÁ NO HORIZONTE.

ONDE: Cine Brasília, Rua Eqs 106/107, s/nº, Asa Sul, Brasília, DF.
QUANDO: confira horários e programação completa no site do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília. Até 27 de agosto.
QUANTO: R$ 6.
CONTATO: (61) 3108-7600. http://culturabancodobrasil.com.br/portal/distrito-federal.

NOTÍCIA: E se Hitler acordasse nos dias de hoje?

Local: Deutsche Welle
Autoria: Sarah Hofmann
Data: 08.10.2015
Fonte: http://www.dw.com/pt/e-se-hitler-acordasse-nos-dias-de-hoje/a-18767121

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E se Hitler acordasse nos dias de hoje?

 
Na comédia "Ele está de volta", ditador nazista reaparece em plena década de 2010. Filme questiona a relação dos alemães com o nazismo de forma nova, ao mesmo tempo cômica e inteligente.
Adolf Hitler (Oliver Masucci) reencontra Berlim em Ele está de volta
Er ist wieder da, baseado no romance satírico Ele está de volta, não é a primeira vez que David Wnendt enfrenta o desafio de dirigir a versão cinematográfica de um best-seller de ficção.
Em sua visão radicalmente subjetiva, Zona úmidas, reunindo divagações da autora Charlotte Roche sobre drogas, higiene genital, práticas sexuais com vegetais e outros assuntos íntimos – também parecia, a rigor, impossível de adaptar para a tela.
O cineasta alemão de 38 anos igualmente teve que pesquisar a fundo os círculos neonazistas para seu filme Combat girls. Ele enfoca uma jovem do Leste da Alemanha dominada pelo ódio aos estrangeiros, aos judeus, policiais e todos que considera responsáveis pelo declínio de seu país.
 
O lançamento desta quinta-feira (08/10) não trata tanto da cena política de extrema direita, mas sim de como as pessoas comuns reagem ao serem confrontadas com a ideologia direitista. Ainda mais quando é Adolf Hitler em pessoa a lhes dar a impressão que alguém as ouve e está do lado delas.
Saudações ao "Führer"
O ponto de partida do longa é o do livro homônimo de Timur Vermes: um belo dia, em plena segunda década do século 21, Adolf Hitler desperta em Berlim, sem qualquer noção do que aconteceu no país e no mundo desde 1945.
Romance "Ele está de volta", de Timur Vermes, é best-seller na Alemanha
Os realizadores de Er ist wieder da foram mais além, atravessando de fato a Alemanha com o ator Oliver Masucci, que encarna o ditador nazista. Por toda parte vivenciaram cenas semelhantes: passantes cumprimentavam entusiásticos o falso Hitler que passava de carro, assumiam postura de soldado e faziam a saudação nazista. Se possível, aproveitavam para tirar uma foto ao lado do "Führer".
Mas o pior não era isso: alguns não conseguiram conter o impulso de abrir seus corações com essa encarnação do fascismo. A dona de um quiosque de salsichas currywurst não perdeu a oportunidade de comentar com "Hitler" a suposta liberdade dada aos estrangeiros para se comportarem mal – segundo a vendedora, tudo fruto do sentimento de culpa que os alemães portam consigo desde a Segunda Guerra Mundial.
"Havia uma ira silenciosa entre a população, que me lembrava 1933. Só que na época o termo 'desilusão com a política' ainda não existia", diz Hitler, a certa altura do filme, em referência ao ano em que os nacional-socialistas assumiram o poder na Alemanha.
Trata-se de um exagero, é claro. Mas, afinal de contas, numa comédia é legítimo usar tais recursos. Problemático é nem todas as cenas que dão a impressão de ser documentais, o serem de fato. Como quando "Hitler" visita a central em Köpenick do Partido Nacional-Democrático da Alemanha (NPD), de extrema direita. Lá, ele não se encontra com funcionários partidários verdadeiros, mas sim com atores – uma sutileza que pode escapar a parte dos espectadores.
Oliver Masucci como Hitler, ao lado de Fräulein Krömeier (Franziska Wulf)
Um povo, duas faces
Ainda assim, o filme merece que se perdoe tudo isso. Pois quando se viu tanto humor negro e profundidade política numa produção alemã? O espectador tem vontade de exclamar: "Finalmente ele chegou!"
Não o "Führer", claro, mas sim um filme desses, que questiona a relação dos alemães com Adolf Hitler de forma totalmente nova, ao mesmo tempo cômica e inteligente. Pois não é fácil avaliar a parcela da população que saúda o NPD, aberta ou secretamente; que na mesa do bar concorda que "no tempo de Hitler não era assim tão ruim"; ou que promove arruaças contra os refugiados.
Protestos xenófobos na Alemanha: relação dos alemães com a extrema direita tem seu espaço no filme
Numa passeata recente do movimento Pegida (sigla em alemão para "Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente") na cidade de Dresden, cerca de 9 mil cidadãos se reuniram para protestar contra uma suposta "estrangeirização excessiva" do país.
Isso não é muito, diante de uma população de 80 milhões. A maioria dos alemães, pelo contrário, mostra outro rosto, que dá boas vindas aos refugiados. Porém o que o filme deixa claro – do seu jeito exagerado de comédia – é que, ao que tudo indica, para jovens e velhos, o criminoso nazista Adolf Hitler não está tão presente como advertência permanente quanto os alemães gostariam de acreditar.

Suicídio em questão
Coincidindo com a estreia de Er ist wieder da nas salas alemãs, desponta um debate sobre se Hitler não poderia ter sobrevivido à Segunda Guerra. O catalisador é um documentário de TV dos Estados Unidos, que seguiu rastros supostamente deixados pelo ex-ditador em diversos países depois de 1945.
Consta que, ainda anos após o fim da guerra, o FBI teria perseguido traços da presença de Hitler na Argentina e no Brasil, entre outros. Os documentaristas examinaram centenas de documentos confidenciais do serviço secreto americano, divulgados apenas em 2014. Estes deixam margem à versão de que em 30 de abril de 1945 o líder nazista e sua companheira, Eva Braun, não se encontrariam no abrigo aéreo da Chancelaria do Reich, mas sim teriam desaparecido na clandestinidade.
Além disso, os trabalhos de filmagem teriam confirmado a existência de um túnel garantindo a ligação entre o "bunker do Führer" e o aeroporto Berlim-Tempelhof em 1945. A partir de meados de dezembro, o canal americano History transmite a série em oito partes.
"Eles não conseguem se livrar de mim", diz Hitler perto do fim do filme. "Eu sou parte deles."

 

Pela necessidade de ser indomesticável: O Fantástico Sr. Raposo e Amantes Eternos.

Porque sou um animal selvagem” é o mote do senhor Raposo, personagem principal de O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox, dir. Wes Anderson, 2009), adaptação do livro infantil homônimo de Roald Dahl. O patriarca Raposo vive um dilema pois não aceita deixar-se domesticar e, na ânsia de reviver seu passado glorioso como ladrão de galinhas, planeja uma aventura com seus amigos que acaba por envolver não só sua família como toda a comunidade animal, gerando uma espécie de guerra civil com os três grandes fazendeiros locais. O tema dos outsiders é caro à obra de Dahl, pois basta rever alguns de seus títulos (A Fantástica Fábrica de Chocolate, Matilda e James e o Pêssego Gigante, para citar algumas que tiveram adaptações bem-sucedidas para o cinema). Nestas obras há personagens em busca não só de uma forma de expressar seus "eus criativos" no mundo como também a tentativa de se conectar com os outros, uma vez que a expressão da individualidade gera uma espécie de rejeição por parte do mundo exterior.


  O que poderia ser chamado redutoramente de uma crise da meia idade ganha contornos mais profundos em O Fantástico Senhor Raposo. Isso acontece porque o questionamento do personagem principal toca numa questão intrigante, perguntando pela essência dos seres e de sua relação não só com o mundo natural exterior como com sua própria natureza interior. Podem seres selvagens aceitar ser outra coisa senão selvagens? Até que ponto é possível – e desejável – mudar nossas naturezas? E qual é o preço desta adaptação? A tensão entre adaptação e mutilação é tópico central no filme e aponta para a complexidade de um mundo onde não podemos ser tudo que desejamos, mas onde necessitamos igualmente respeitar nossas vocações e temperamentos para efeito de manutenção de nossa sanidade mental.
                A crítica social é também enfática. Não só no que diz respeito a embates como comunidade versus privado ou natureza versus homem. O caráter antropomórfico das famílias animais e sua relação direta com a família nuclear humana de classe média traz ainda mais inquietação acerca da artificialidade da vida contemporânea, onde segurança e conforto são colocados como valores máximos. Como já sabemos, este tipo de ideologia, cujas bases são o medo e o controle, tem regrado a vida individual e social das pessoas por leis de mercado. Um bom exemplo disso é o parque tipo exportação de origem mexicana Kidzania e sua proposta que "oferece às crianças e seus pais um ambiente seguro, único, realista e educacional (...)". O tema é analisado no artigo Kidzania: cidade nada ideal para crianças, cuja divulgação nas redes sociais ganhou o sugestivo título "Kidzania: onde se domesticam as crianças":
 "No Kidzania as crianças brincam de piloto, jornalista ou engenheiro em trocas sociais e afetivas mediadas pelo consumo e troca monetária. A ideia de ingresso no parque é “pegue seu dinheiro, faça mais dinheiro e gaste como desejar”."

Numa tríade que conjuga cidadania, papéis sociais e consumo o resultado só pode ser de domesticação às regras vigentes, regras de mercado que visam  (e também adultos). Ao invés de abrir possibilidades, restringe o mundo a um faz de conta onde todas as alternativas são controláveis (e controladas pelas grandes marcas). É impressionante contrapor tal perspectiva com a fala do senhor Raposo:
 "Quando olho para esta mesa, com o excelente banquete colocado diante de nós, vejo: dois incríveis advogados, um hábil pediatra, um maravilhoso chef, um experiente agente imobiliário, um excelente alfaiate, um dotado músico, um ótimo pescador e possivelmente a melhor pintora de paisagens em atividade hoje. (...) Também vejo um cômodo cheio de animais selvagens. Animais selvagens com naturezas puras e talentos puros. Animais selvagens com nomes científicos latinos específicos que significam algo sobre nosso DNA. Animais selvagens cada um com suas respectivas qualidades e defeitos devido à sua espécie."
 A lógica do senhor Raposo é completamente oposta a do parque temático e para ele mais do que adaptação, a resistência é a chave. E num contexto onde as forças de domesticação e acomodação são enormes, apegar-se ao que é mais autêntico em nós mesmos parece a única saída, a única arma de oposição e mudança. Fazer coabitar nossa existência social sem esquecermos de ser fiel à nossa vida interior mais elementar, vida esta que nos supre de alegria e que norteia a razão de nossa existência, é a grande lição do senhor Raposo.
Numa outra matriz temos Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, dir. Jim Jarmusch, 2013), onde o casal de vampiros Adam e Eve protagoniza uma história com ares um tanto apocalípticos ao viverem num mundo onde o sangue dos humanos, assim como o resto, está contaminado. Devido a isto, os vampiros não se alimentam mais diretamente de humanos, recorrendo à alternativas mais "sépticas" para suas necessidades nutricionais. Enfim, para manterem-se vivos, os vampiros se deixaram domesticar e o custo parece ter sido caro, uma vez que Adam se torna cada vez mais recluso e suicida. Adam vive uma crise como o senhor Raposo, e se não da meia idade, a de uma eternidade que parece finalmente se esgotar, onde “toda a areia da ampulheta parece estar no fundo ou algo do tipo”. Se o dilema de vampiros que não podem ceder aos seus impulsos predadores já foi celebremente explorado no cinema na figura de Louis em Entrevista com o Vampiro, o tormento romântico é solucionado em Amantes Eternos a partir de uma resposta mais positiva no sentido de aceitação da natureza dos seres.  A chegada da jovem irmã de Eve e seus instintos indomáveis que a levam a se alimentar de um amigo humano de Adam causam a reviravolta na história e joga o casal numa série de circunstâncias que os leva ao retorno primitivo da caça.




Os dois filmes denunciam uma nova escala de controle das almas. A tentativa de domesticação pelo medo (seja medo de uma vida que não se cumpra como o planejado ou de um mundo que se despedaça) parece ser o pilar que cada vez sustenta a nossa sociedade. O prazer do processo das experiências é substituído pelo afã dos resultados, o futuro sufocando o presente e até mesmo o passado. Se, por um lado, vivemos uma abertura para a pluralidade da existência e das formas de pensamento, por outro há uma intangível restrição da individualidade e uma ideologia crescente que entende a vida das crianças e adultos como um narrativa linear onde a sequência das coisas já se dá arranjada a princípio. E qualquer ruptura nessa ordem é entendida como uma verdadeira ameaça de morte, como a temível catástrofe da falha. Tal controle acontece em diversas escalas institucionais mas que parecem ter suas amarras mais fortes na família. Não é à toa que a reação inicial da esposa do senhor Raposo à necessidade de ser selvagem é a de assegurar a domesticação do parceiro, negando sua natureza.
"Senhora Raposo: Esta história é muito previsível
Senhor Raposo: Previsível? Sério? Então como ela acaba?
Senhora Raposo: No fim todos morremos. A não ser que você mude."
Apenas posteriormente a senhora Raposo seguirá a revolução contra a domesticação iniciada por sua família, o que parece também ser o caso de Eternos Amantes, no qual Eve apresenta maiores traços iniciais de instinto de sobrevivência. No entanto, no caso de Adam e Eve, seu relacionamento é condizente com sua vida boêmia e a liberdade que lhes é tirada no mundo é devolvida no casamento, seguindo uma lógica mais livre de um amor que não precisa de amarras. Nem a mesma casa eles compartilham, pois Eve vive em Tânger e Adam em Detroit. Quando o amigo de Eve questiona "Francamente, não entendo porque vocês não vivem no mesmo lugar.  Porque vocês não podem viver um sem o outro", fica claro que eles não precisam existir no mesmo espaço e viver de acordo com o que é esperado socialmente de um casal para demonstrar seu amor. E em ambas as histórias o retorno ao selvagem acontece a partir do núcleo familiar, o que é bastante sugestivo e aparece sob a forma de um impulso dos personagens rumo à aventuras que demandam coragem e que despertam um sentimento adormecido de estar vivo, de "sobreviver às coisas", como diz Eve. No artigo Jim Jarmusch: 'Women are my leaders' a questão é exemplarmente resumida:
"O que Adam aprende, o que Jarmusch entende, é que não é vantagem em se retirar do círculo.  A sobrevivência é um instinto e para alguns é a única opção. Os artistas precisam roubar e vampiros precisam se alimentar. O que Adam percebe como entropia, Eve reconhece como fome."
 Desta forma, em Amantes Eternos, viver nas sombras é mais do que a clássica intolerância destas criaturas à luz solar, é ocultar a essência, é render-se à mediocridade de um mundo que, por falta de um impulso original e sincero que o revigore, consome a si mesmo. É nesse sentido que Adam declara acerca dos humanos (a quem chama “zumbis”): “Estou cansado disto - desses zumbis, do que eles fizeram com o mundo, seu medo de suas próprias imaginações.”. Em seu tédio de fin-de-siècle, Adam ataca o ponto da questão, uma vez que os humanos "zumbis" (é bom lembrar zumbis agem mecanicamente por serem vazios de alma, por já estarem mortos) são nada mais do que a sociedade que se reproduz de forma egoísticamente predatória, padronizadora e preconceituosa, alheia a valores como sensibilidade e criatividade. 
Os vampiros assumem então o arquétipo dos desajustados sociais, dos boêmios, dos intelectuais. Personagens como Adam e Eve são localizados por toda a história da humanidade, como se criatividade e originalidade de fato pertencessem a uma zona marginal. Mesmo artistas e escritores renomados que viveram em meio ao centro do poder tiveram esta característica de uma vida interior rica que os afastava dos demais, como se as amarras sociais fossem diretamente opostas ao coeficiente criativo.
 É claro que o tema da genialidade já foi amplamente debatido e hoje é bastante questionado, mas o que se coloca aqui não é a celebração dos indivíduos ditos geniais como exceção e sim a possibilidade de que todos exerçam sua genialidade, esta entendida como a livre expressão de talentos, sonhos e visões. Amantes Eternos é costurado por narrativas de contato com artistas, escritores e inventores de vários períodos, indivíduos que, como o senhor Raposo, viviam suas vidas sem estarem alheios ao que significa estar neste mundo, que pensaram o que significa este mundo afinal de contas. A grande maioria pertenceu à geração romântica marcada justamente pela celebração dos instintos primários sensoriais e pela afã com que decorava a vida (e encorajava o público a fazê-lo).  E foram em grande parte, cada um a seu modo, selvagens, indomesticáveis, incontroláveis, imprevisíveis... e fascinantes. Por isso, que fique a inspiração que estes deixaram e fiquemos com com o ensinamento da senhora Raposo:
 "Somos todos diferentes. (...) Mas há algo meio que fantástico nisto, não há?"
Parede com os "célebres conhecidos" de Adam e Eve em Eternos Amantes. Fonte: http://smirkingsmut.tumblr.com